Crónicas do Fidalgo

Pessoas

Joana Benzinho: A mulher que levou máquinas de descascar arroz para a Guiné-Bissau

Na Guiné-Bissau é comum ter a profissão de descascar arroz, sobretudo entre mulheres e crianças. Desde cedo trabalham para conseguir subsistência, o que lhes retira o tempo para a educação, por exemplo.

Joana Benzinho, jurista de 42 anos e fundadora e presidente da ONGD Afectos com Letras, é responsável por conseguir dar tempo às meninas para irem à escola. Para isso, levou para a Guiné-Bissau cinco máquinas descascadoras de arroz. A tarefa destas máquinas é apenas uma, que apesar de simples, fornece tempo para as mulheres guineenses conseguirem ir à escola ou dedicar-se a outras actividades.

A ideia surgiu numas férias à Guiné-Bissau onde Joana, segundo conta ao P3, se apercebeu que as crianças não conseguiam aceder à escola “fosse por falta de dinheiro para pagar a matrícula, greves ou qualquer outro motivo.” Um deles era a necessidade de as meninas ficarem a descascar o arroz à mão, com as suas mães. A partir daí, Joana nunca mais perdeu a ligação ao país.

Por ser a base da alimentação na Guiné-Bissau, esta tarefa torna-se fundamental. Joana levou a primeira descascadora em 2014 para Barambe e partir desse momento as escolas da aldeia encheram-se de meninas. Já as mães, conseguiram retirar tempo para fazer hortas com outros produtos, isto porque, descascar o arroz manualmente leva cerca de quatro a cinco horas, e com uma máquina é possível obter muitos quilos descascados em poucos minutos.

Este acto de solidariedade levou Joana a ganhar o terceiro lugar no Terre de Femmes, prémio da Fundação Yves Rocher. Agora, prepara-se para internacionalizar o arroz que excede na Guiné-Bissau, com a ajuda monetária conseguida através do prémio. Para além disso, Joana refere ao JPN que pretende “criar uma cooperativa das mulheres, onde estão as máquinas, e que elas próprias se tornem empreendedoras e criem o seu próprio negócio”.

São cinco máquinas que no futuro passarão a seis, com a nova que será instalada em Quilum. Isto porque existiam guineenses com necessidade de se deslocar à aldeia mais próxima para descascar o arroz.

O orgulho que Joana sente é tão grande ou maior que aquele que sentimos ao ler esta história. Segundo a mesma contou ao P3, o prémio foi “um reconhecimento enorme e uma homenagem às mulheres e meninas guineenses”. E agora, é também Joana Benzinho que merece todo o nosso reconhecimento.