Crónicas do Fidalgo

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Antonio Distefano: de vítima de racismo a escritor famoso

Antonio Dikele Distefano, 23 anos, filho de pais angolanos, nasceu em Itália: algo que se tornou desde logo um desafio. A família vivia na pobreza, até que encontraram o melhor local para se fixarem. Conseguiram estabelecer-se em Itália com a ajuda de conhecidos.

Era o único menino negro na escola, algo que o marcou. Hoje recorda esses tempos com um sorriso, porque quando vai discursar em escolas, vê jovens de todas as etnias e contextos, sinal de uma evolução.

A mãe abriu uma mercearia em Ravenna e Antonio viveu a sua infância no local. Lá fixavam-se várias culturas e isso fê-lo perceber melhor a diversidade de África a partir de relatos das pessoas que frequentavam o pequeno negócio da família.

Com a mercearia, as condições financeiras de Antonio melhoraram. Tinha trabalho e férias. Mais tarde, o edifício onde a mercearia estava fixada foi comprado e seguiu-se a loja. A mãe de Antonio foi obrigada a voltar para Angola para conseguir suportar os encargos financeiros. Ela e Antonio perderam o contacto durante bastantes anos. Foi nesta altura que conheceu aquela que viria a ser sua namorada.

O argumento para o livro de Antonio estava lançado. Como conta a NiT, conheceu uma rapariga italiana e começaram a namorar. Segundo ele, “os primeiros meses correram bem e de repente já não podíamos estar juntos".

A razão? O receio dos pais por verem a filha namorar com um rapaz negro. Antonio foi rejeitado pelos pais da namorada e a relação foi mantida em segredo para evitar o fim. Um dia recebeu uma chamada para o telemóvel de um amigo, do qual ligava à namorada para não ser descoberto.

Era a mãe da namorada a atacá-lo com a ideia de que Antonio não era bom para a filha, que o seu estatuto não era compatível com o dela, que não acreditava que Antonio soubesse escrever. Afirmou: “se dizes que consegues escrever um livro, então escreve um”. Assim surgiu o seu primeiro romance.

Antonio escreveu uma história e publicou-a na Amazon. Três meses depois, o seu livro tinha cerca de 20 mil downloads. Foi publicado e tornou-se um fenómeno internacional. Chama-se “Lá Fora Chove, Cá Dentro Também. Passo Aí a Apanhar-te?”. Quando assinou contrato para a publicação do livro referiu, ironicamente, que num mês iria vender 10 mil cópias. Esse número foi atingido em três semanas.

A ambição de Antonio, a sua paixão pela vida e pelo Rap levou-o a escrever um romance com música à mistura. Todos os capítulos são nomes de temas musicais.
Não gosta de ser distinguido por ser negro mas porque escreveu um livro, que ultrapassa a temática do racismo.

A meta? Ser o escritor italiano que mais vende.

Em Portugal o livro conta com a chancela da Bertrand.