Crónicas do Fidalgo

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A Tua Crónica: "O Prazer de Ser Livre" por Carlos Pereira

Motociclista, motard, biker, motoqueiro ou até moto-rato (este último derivado dos desenhos animados dos anos 90). Tantos nomes atribuídos!

Um gosto que começou com os passeios à pendura do meu avô Carlos na sua Zundap, um vizinho que fazia motocross e andava de mota no "Poço da Morte", na antiga feira popular, e que tinha uma pequena oficina mesmo no R/C do prédio onde morava.

A paixão começou

Como a maior parte dos adolescentes, a primeira aquisição foi a mota da moda “Yamanha DT”, comprada através do Jornal Ocasião, a meias com a minha namorada (actualmente mulher).
Trabalhei dia e noite para comprá-la e levava nas botas as notas para pagá-la. Aqui tornei-me rebelde e independente, julgava eu.
A minha mãe sempre achou que seria algo passageiro, mas após tirar a carta, decidi avançar com a compra da minha Virago 535.

A minha primeira aventura de Virago 535

Tenda e roupa nos alforges para 15 dias, com destino ao nosso Gerês, mas que acabou por não acontecer, seguindo outros itinerários: Figueira da Foz, Carregal do Sal, Portalegre e terminando a viagem na concentração de Almodôvar. Na altura os telemóveis eram só para alguns, por isso, em cada paragem ligávamos das cabines telefónicas para casa dos pais, colocando as moedas em escudos.

O GPS era em modo mapa nas costas e a gritarem-me ao ouvido “Vira à esquerda, vai em frente!“ Só não ouvia a parte final: “Chegou ao seu destino”!

Aventuras não faltavam e como o casamento é uma aventura, decidimos casar em pleno Dezembro de mota e sem capacete, mas de fato de abas de grilo.

Harley-Davidson e Marlboro Man

O sonho de ter uma Harley realizou-se: uma Fat Boy foi a minha primeira da fabricante e aqui novas aventuras se desenrolaram no meu mundo biker.

Já fiz algumas viagens de mota, umas só com a minha mulher, outras com um amigo e em grupo, mas a viagem que mais me marcou com um sorriso na cara foi em 2018. O regresso das Astúrias, eu e a minha Harley, sozinhos uma viagem de mais ou menos 850km seguidos até casa, parando só para "gazoline". Cheguei ao meu destino com um sorriso que não se explica. Sente-se.

Todos nós temos amigos com diferentes cilindradas e estilos de mota, que respeitam a cultura motociclista e têm muitas aventuras para contar. E foi a pensar nessa essência que, em Outubro de 2016, nasceram as "Quartas em Azeitão – Motorcycle Spot"!

Quartas em Azeitão

Quarta, meio da semana. É essa a ideia, um quebrar da rotina em Azeitão para beber café, degustar um moscatel e saborear um doce tradicional da região, a famosa Torta de Azeitão.

Vila Nogueira de Azeitão porque o núcleo ou o grupo de amigos que teve a ideia mora em Azeitão ou redondezas. O objectivo também era dar a conhecer Azeitão, colocar Azeitão no trajecto do motociclista.

Todas as Quartas lá estávamos nós, reunidos a falar sobre vários temas. E no Inverno custa bastante! Imaginem, depois de um dia de trabalho, chegar a casa, jantar e em vez de calçar o chinelinho e vestir o pijama, calças as botas e colocas o teu casaco, pegas no teu capacete e sais só para ir beber um café e moscatel!

Desde o primeiro dia o lema foi “aqui não interessa como vens, que mota tens, que estilo tens, só interessa que gostes de motas e respeites a comunidade motociclista”.
Quem não fica com um brilho nos olhos quando vê aparecer a mota que teve quando era miúdo e lhe faz recordar as aventuras de outros tempos?
Durante estes dois anos, as Quartas em Azeitão serviram para apresentação de livros, eventos e até test drives.
Uma simples ideia, mas que serve de escape e que faz sorrir pessoas.
Numa das minhas Quartas em Azeitão fiquei sem "gazoline", mas isso são marcas que ficam para outra crónica!

ID Carlos Pereira

Director Comercial na empresa EQP Aluguer de equipamentos.
Em 2017 criou a marca Gazoline Motorcycle Culture.
Em 2018, foi convidado para ser um dos embaixadores de algumas marcas portuguesas ligadas ao mundo do motociclismo.