Crónicas do Fidalgo

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A Tua Crónica: "O amor não muda!" por Pedro Lucas

Por mais anos que passem, por mais apps de encontros que surjam, por mais surpreendentes que sejam os feitos do ser humano, há algo que jamais mudará: a guerra de sexos! Basta fazer-se uma rápida pesquisa “googleriana” para nos depararmos com aquilo que mais convém a homens e mulheres! Discussão, concórdia, fake news, desculpas… O mais importante é que, no meio de tanta contradição, haja sexo! Ora vamos lá encenar uma história…

As atitudes comportamentais entre género começam logo na forma como discutem e na teimosia em reconhecer que não se tem razão. “Vou dormir! A discutir não nos vamos entender!”, diz ela! “Vou sair com a malta, só para não me zangar mais contigo”, responde ele. Por norma, as mulheres isolam-se, na esperança que sejamos nós a dar o primeiro passo - entenda-se pedir desculpa - e se “mate” rapidamente o assunto. Nós, homens, não! O nosso raciocínio é simples: ou ficamos a ver futebol até adormecermos no sofá ou telefonamos a amigos - solteiros, de preferência. Afinal de contas, nada melhor do que um jantar de homens, ao melhor estilo de Sexo e a Cidade versão masculina, para extrair relatos, histórias, opiniões e, fundamentalmente, desabafar, entre um par de copos, sobre o que se passou em casa. Este é o momento em que nos sentimos com 20 anos. Há que aproveitar. Colocamos a nossa rotina de casado em modo “pause” e, em poucos minutos, estamos todos a falar a mesma linguagem: sexo! É claro que só falamos das mulheres dos outros ou das beldades que estão a jantar na mesa do lado. Sim, sabemos que as mulheres também fazem o mesmo, mesmo que nos custe a acreditar. Mas os homens tendem a ser mais “ilusionistas” e exagerados na forma como relatam ou falam dos casos de sexo que tiveram ou podiam ter tido. Podemos dizer que as conversas de mulheres sobre sexo são sempre soft face aos detalhes hardcore que os homens empregam. Mas aqui há um pormenor muito importante: quando o assunto é sexo, a nossa parceira jamais é chamada à baila. Ela é sempre intocável.
No final da noite, facilmente concluímos que o melhor dos dois mundos é mesmo… a nossa mulher. Aquela casmurra linda que ficou chateada em casa. Por isso, há que ir para casa e resolver o assunto. A estratégia passa normalmente por mostrarmos o nosso arrependimento - sendo que elas estarão ainda mais furiosas por estarmos a chegar a casa tarde e a más horas – e, de certa forma, dar o braço a torcer. O lado positivo destas pequenas brigas, por mais ou menos tempo que durem, é a consequência: muitas vezes, a bandeira branca da paz é hasteada precisamente entre lençóis! Digamos que o amor funciona como um detonador de memória. Faz esquecer tudo! No dia seguinte, acordamos com um enorme sorriso nos lábios – quiçá também com uma ressaca da noitada anterior – e a relação conjugal volta à normalidade. Fim da história!

Reconheceu-se em alguns destes momentos?
Em termos gerais, este tipo de casos já foi vivenciado por muitos casais. Sabemos que as mulheres costumam desculpar-nos com mais facilidade. Isto não significa que uma noite de sexo lhes chegue, mas a verdade é que elas, ao contrário de nós, são mais compreensivas e gostam de pôr os pontos nos “is” rapidamente e partir para uma nova etapa. Gostam de ter o papel principal na resolução do conflito matrimonial.
Mais seriamente, sou da opinião que as discussões têm o seu lado positivo, precisamente aquele que nos faz refletir sobre a relação em si. Se vale a pena chatearmo-nos pelas contas em atraso, pelo dinheiro gasto no cabeleireiro ou na mensalidade da Sport Tv? A solução é claramente o diálogo entre o casal! Sempre. Não sou eu quem o diz, mas sim a maior parte dos terapeutas familiares que já entrevistei ao longo dos anos.
Cada elemento deve ter maior liberdade para fazer o que gosta, assim como compreender o outro. Digamos que, na teoria, a fórmula de sucesso de uma relação a dois é sobejamente conhecida, na prática é que tudo se complica. Todos sabemos que homens e mulheres casados devem continuar a ter os seus momentos de amizade com os(as) amigos(as). Mas isso nem sempre é tolerado. Sabemos que elas gostam de devorar os saldos, mas não compreendemos essa aptidão. Temos noção que o casamento não pode cair na monotonia, mas teimamos em pouco fazer para o contrariar, mesmo sabendo que o sexo nivela a “saúde” de uma relação a dois. Temos noção que devemos elogiar regularmente a mulher a quem dissemos “Sim”, mas deixamos essa tarefa para os colegas de trabalho dela. Enfim, nós sabemos o que deveríamos fazer… mas não o fazemos!
Que a vida muda depois do casamento, é verdade. Mas isso não significa que ela nos tire a vontade de continuar a ser feliz e de ter um pouco da loucura, a todos os níveis, que tínhamos quando éramos solteiros. Basta ser flexível, saber e querer ouvir e, lá está, dialogar.

ID Pedro Lucas

Licenciou-se em Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), com uma especialização em Comunicação Social, em 2000.
Foi jornalista no jornal Record e repórter na SIC. Foi chefe de redacção da revista Best Life, já extinta.
Lançou em Portugal as revistas internacionais Women’s Health e Runner’s World. Actualmente é director das revistas Men’s Health, Women’s Health, Delas e Volta ao Mundo. Faz parte da Men's Health desde o número 2, há quase 18 anos (o que faz com que seja o homem com mais anos "de casa" nesta publicação, a nível mundial).
 É autor do blog About Men e colaborador em vários programas de televisão: "Amor Sem Limites", "Mais Mulher" e "Faz Sentido", na SIC Mulher.