Crónicas do Fidalgo

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Dia Internacional da Rapariga: os números são alarmantes

UNFPA Bangladesh

Hoje é o Dia internacional da rapariga: um tema que toca a todos nós.

Muito pertinente, a escolha de um dia internacional especificamente dedicado à rapariga. Já existe o Dia da Mulher, sim.

Mas precisamos de falar do dia de hoje. Existem dados mundiais sobre raparigas que são verdadeiros alertas vermelhos:

- Existem 1,1 mil milhões de raparigas no mundo.

- Uma em cada três raparigas casa antes dos 18 anos nos países em desenvolvimento, o que aumenta a probabilidade de violência pelo parceiro.

- 700 milhões das mulheres de hoje casaram antes dos 18 anos e um terço destas casou antes dos 15 anos.

- As raparigas pobres têm 2,5 vezes mais hipóteses de casar na infância do que as raparigas ricas.

- Existem, por ano, 7 milhões de raparigas menores que engravidam nos países em desenvolvimento.

- 40% das gravidezes não são planeadas. Grande parte deste número resulta de violações.

- Mais de 3 milhões de grávidas não têm acesso a planeamento familiar e cerca de 40% das jovens procuram contraceptivos sem êxito.

- Entre 100 a 142 milhões de raparigas terão sido submetidas a mutilação genital.

- 31 milhões de raparigas em idade de escola primária e 34 milhões em idade do secundário não vão à escola.


Os números são alarmantes. É desoladora a violação dos direitos humanos.

Compreendo que as questões culturais e religiosas possam ser um obstáculo na melhoria das estatísticas. Mas não podemos baixar os braços. Temos de erguer vozes e denunciar desigualdades. Combatê-las com a palavra, com acção.

Fui rapaz. Hoje sou homem. Não quero uma sociedade onde as raparigas, as mulheres estão ainda tão vulneráveis, em determinados contextos.

Mas aqui tão perto, mesmo debaixo do nosso nariz, os números não são menos assustadores.

Um estudo da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta de 2017, dedicado ao tema da “Violência no Namoro”, dá conta que 5% das raparigas entrevistadas encara com normalidade a violência sexual (o número dispara para os 22% no caso dos rapazes). 19% das raparigas considera legítima a perseguição (contra 33% dos rapazes). 28% dos jovens inquiridos, de ambos os sexos, consideram legítimos comportamentos de controlo.

Estaremos nós a formar devidamente as mentalidades das mulheres e dos homens de amanhã? Falem com as vossas filhas e filhos. Tirem conclusões.