Crónicas do Fidalgo

Pessoas

Os homens podem ser feministas

Uganda. Por cima da cabeça, um cântaro de barro. Às costas, um bebé suportado por um pano amarrado ao tronco. Não ao tronco de uma mulher - como muitos de nós poderão ter imaginado - mas ao tronco de Francis Ogweng, um polícia que decidiu “calçar” os sapatos de milhares de mulheres no seu país - e do mundo fora - e marchar numa autoestrada a até à capital do Uganda, Kampala.

É um polícia, de muitos, que se assume como um homem feminista. Ao seu lado, os seus pares de profissão.

“Queremos colocar-nos no papel das mulheres”, disse Ogweng, um superintendente assistente da Força Policial do Uganda (UPF), à Thomson Reuters Foundation. “É difícil carregar água? É difícil carregar um bebé?”

Foi o que quiseram descobrir. A julgar pelo suor que lhes escorria rosto abaixo, diríamos que sim, é difícil.

A marcha teve um propósito tão claro quanto nobre: travar a violência contra as mulheres. Em 2017, cerca de vinte mulheres foram brutalmente violadas e assassinadas perto de Kampala.

Metade dos ugandeses acreditam que a violência contra as mulheres é justificada, em alguns casos. Como quando uma mulher queima a comida, por exemplo. É um princípio com raízes muito profundas.

O que acontece neste país, bem como em todos os outros que o rodeiam, tem na sua origem tradições tão enraizadas como difíceis de mudar.
Mas não nos esqueçamos que nos tais países desenvolvidos, industrializados, cosmopolitas... mentalidades e comportamentos como este existem! Se partirmos do exemplo deste oficial, num contexto nosso, qual seria o impacto? O que fariam? Fica o mote para um brainstorming!

Foram muitos os passos que estes polícias deram estrada fora para combater este flagelo. Esperamos que tenham caminhado um pouco mais para perto de um cenário em que a violência contra as mulheres não faça parte da cultura. Em que a violência contra as mulheres não manche o pano social do país. Em que todos nós tenhamos o poder de a travar e de a erradicar.