Crónicas do Fidalgo

Tarifa e a água do Fabrizio

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Tarifa e a água do Fabrizio

Mais uma crónica de uma das minhas viagens

José Fidalgo

A última vez que estive nesta terra com vista para África foi há 15 anos atrás. Nunca mais a esqueci. Os 40 quilómetros de praia que recebem quem está a caminho do centro são paradisíacos, mesmo estando cheios de bares, hotéis e escolas de surf e kite surf não impede de vivermos o sonho de estarmos num cenário idílico.

De facto, o que mudou foram as paisagens à volta do centro. Nasceram subúrbios e alargou muito o que eu conhecia do centro de Tarifa. Mas não seria de esperar outra coisa. A capital mundial do windsurf foi-se modernizando e como qualquer lugar turístico que tem como atração os desportos radicais aquáticos facilmente cresceu.

Apesar da minha breve paragem, deu para recordar os bons momentos que aqui vivi.

Além do centro histórico, das terras circundantes, dos vestígios romanos, etc, vale a pena subir às montanhas para desfrutar de uma vista impressionante onde, em dias de céu limpo, o que não foi o caso desta vez, podemos avistar Ceuta, bem como um raio de 30 quilómetros de terras de nuestros hermanos.

Mas, o que levo desta terra na minha segunda visita é a conversa com Fabrizio e a sua água. Um italiano que se apaixonou por esta terra já lá vão mais de 30 anos. Hoje em dia, com a sua família, tem o seu barco, o ‘Moby Dick’, que serve para a pesca, tanto para ele como para turistas, passeios, mergulho, despedidas de solteiro, e o que mais houver… Ele aceita!

Tem a particularidade de não beber água comercial desde que, há 15 anos atrás, descobriu uma fonte de água pura, numa das caminhadas pelas montanhas circundantes.

Desde então, de 15 em 15 dias, pega nos seus bidões, e com a sua pick up percorre cerca de 20 quilómetros, 10 de estrada e outros 10 pela montanha, uma voltinha de uma hora e picos. “Sempre que venho à montanha relaxo, penso na vida, no que ela me deu, e sinto-me feliz bebendo a minha água.” Fiquem com a história do Fabrizio.