Crónicas do Fidalgo

Motores

Ele, ela e as oliveiras

Aqui está um bom pretexto para falar do carro que o José Rodrigues, da Rodrigues Autoshop, me emprestou para proporcionar um dia inesquecível a um casal que, passados 9 anos, resolveu dar o nó.

Fiz um resumo, mas vamos por partes!

O veículo:
Um Chrysler Cordoba de finais dos anos 70.
Aconselho-vos a ler a história à volta deste carro porque, numa época em que as grandes marcas equacionavam produzir carros mais pequenos, a Chrysler recusava-se a seguir essa tendência.

Um estilo de carro que faz parte do nosso imaginário cinematográfico e que a única sensação real que me traz - ou que já tenha tido em miúdo -, é o cheiro a carro que me transporta para o Mini Cooper 1100 do meu pai. Tinha eu oito anos de idade. O cheiro dos estofos, da alcatifa, etc. Sim, de tecido, não de cabedal. Por mais caro que seja ou por mais status que possa simbolizar, em dias de calor agradeço serem de tecido! Isto porque o ar condicionado ja não é o que era - ou não é aquilo a que estamos habituados nos dias de hoje.

De facto, o único extra que faz falta é o ar condicionado para estes dias de calor à séria. De resto, é um prazer conduzir uma "banheira" com seis lugares (3+3), uma ignição irrepreensível (à primeira com duas aceleradelas e 5 minutos a aquecer), um motor com som atractivo que sai do seu V8, direcção assistida com a precisão de um dedo aos comandos de um carro com mais de 2,7 metros de comprimento, etc. E atenção que, para a época ou para a marca, era dos mais pequenos! Imagine-se…

O casal:
João e Mara. São um casal que conheço há relativamente pouco tempo mas que criam um impacto em quem os conhece que não nos deixa indiferentes. Fiquei com esta ideia porque a hospitalidade é uma das regras ou características que mais aprecio no ser humano. Com a passar do tempo fui observando que, em conjunto com os restantes filhos, são uma família muito educada, humilde, consciente da realidade em que vivem, procurando desfrutar do que têm sem ambicionar muito mais. É claro que todos temos sonhos e procuramos atingi-los e esta família não foge à regra, mas procuram viver com o que têm da melhor maneira possível. A casa de campo onde a Mara sonha viver é um exemplo disso. E vais conseguir, Mara!!! Risos.

Para terminar com a cereja no topo do bolo, sou convidado a estar presente num dos dias mais importantes da vida deste casal. No casamento.

João e Mara já vivem juntos e fazem a sua vida de casados há nove anos, mas havia a vontade de se casarem, efectivamente, e de terem uma cerimónia onde pudessem partilhar esse momento com as pessoas que lhes são muito especiais.

Uma atitude que valorizo muito. Não que tenha uma importância extrema na nossa sociedade - ou talvez ainda tenha, o casamento e a cerimónia - mas sim pelo amor que existe e a vontade de querer demonstrá-lo um ao outro. Ao longo da vida de um casal vamos tendo muitas atitudes que demonstram esse sentimento tão rico e assolapado. O casamento é só mais uma forma de o comprovar.

Dito isto, tive vontade de retribuir esta amizade, não só com a minha presença mas com algo que tornasse o momento mais inesquecível do que já estava a ser. Ofereci-me para ser o “Chauffeur Privé” da noiva.

Para a Mara, um Uber Black estava muito bom! Mas eu queria que ela desfrutasse da viagem sentada num carro que a transportasse para uma outra realidade: a do cinema, dos videoclips dos anos noventa, para os Jon Bon Jovi, Guns N' Roses, Brian Adams, etc.

Para o João, fotografarem num carro como este, com as oliveiras que existem na Tapada da Ajuda a servirem de cenário, trouxe-lhe recordações que marcaram este dia.

E aqui entra o meu amigo José Rodrigues. Das pessoas com mais bom coração que conheço. Tem tanto de bom coração como de maluqueira. O que tem, gosta de partilhar com os amigos. É daqueles homens que está lá quando precisas, em que situação for. Eu sei porque, quando precisei, ele estava lá. Para além disto, percebe de carros e de tudo o que tenha motor como ninguém.
Bastou um telefonema a explicar o que precisava e na hora estava lá, pronto para ajudar.

No fundo, vivi e proporcionei um dia inesquecível a quem merece.

Mas tudo isto foi graças a ti! E que possamos viver um dia assim, mas perto do “Oceano” onde tu e eu nos sentimos bem.

Amo-te.