Crónicas do Fidalgo

Motores

A minha viagem a Cabeço de Vide | Parte 2

Aqui temos a Senhora Dona Francisca, a sua filha, mãe do Mário Tojo, os filhos do Mario e a turma que ficou até ao fim.  O Monte da Azenha.

Aqui temos a Senhora Dona Francisca, a sua filha, mãe do Mário Tojo, os filhos do Mario e a turma que ficou até ao fim.  O Monte da Azenha.

Domingo solarengo na termas de Cabeço de Vide.
Acordar no campo onde reinam os sons que nos despertam os sentidos mais relaxantes... não sei propriamente o que isto vos poderá parecer, mas é o que sinto!

Todos nós - ou alguns de nós - temos o nosso silêncio ao acordar. Os sons a que já nos habituámos fazem parte desse silêncio urbano, citadino e até precisamos deles para adormecer e acordar. Já o silêncio do campo é outra coisa.... quase absoluto, onde os passarinhos e a brisa que passa pelas folhas das árvores proporciona uma melodia própria que nos eleva o estado de espírito a outro nível.

Eu sei que isto contrasta com a outra melodia, a das "meninas" que nos acompanham, dos nossos cavalos de ferro. Também compreendo que não entendam que, para mim, esta mistura faça sentido. O barulho de uma Harley a carburador é uma jóia sonora que pertence aos poucos sons que estão caracterizados como únicos. Tal como o som do melro. Mal se ouve, já sabemos que não há igual e isso marca todos os processos ao longo da nossa vida.

Os motores do pessoal

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Bom, já viajei muito com esta explicação. Mas, no fundo, é para isto que tenho este blogue, site, espaço cibernáutico, etc.
Depois disto, vai um pequeno-almoço em sintonia com o ambiente envolvente. Um bom chá, umas boas torradas, um sumo de laranja natural, fruta e um café "daqui"! Sempre acompanhado de conversa. A típica conversa matinal de uns madies que amam Harleys.

Claro que temos futebol, o tempo, a volta a dar apela manhã antes do almoço... É algo novo! A importância de Cabeço de Vide no nosso planeta!
Aconselho vivamente a pesquisarem porque é que a NASA considera que foi aqui que começou o mundo!
Para aguçar o interesse: “ Cabeço de Vide, the Cedars ( uma zona termal nos Estados Unidos ) e Marte. Isso mesmo, meus amigos. MARTE!!!
Podem ver aqui


Um tema de conversa perfeito para entrarmos na nossa viagem pelas planícies alentejanas. Mesmo!!!

Por esta altura, já o nosso co-anfitrião, Mário Tojo, nos tinha deixado para rumar a Lisboa. “Compromissos familiares”.
Após esta volta, também o Nuno “trocas” nos iria deixar para estar em Lisboa com a sua família do Jiu-jitsu a apoiá-los num dia de combates muito importante.
Aí, ao chegarmos ao nosso quartel-general de fim‑de‑semana, “ O Monte da Azenha”, deparamo-nos com a mesa posta no mesmo espaço onde temos degustado as iguarias desta família. Desta vez, com açorda de migas, espargos e uma carninha do outro mundo. Ainda provámos uma sopa de gaspacho feita pela D. Francisca. Divinal!

Com o tempo como está, nada melhor que aproveitar a piscina fluvial com a melhor água termal do mundo para uns banhos.
Mas antes de nos fazermos aos 11.5 de PH daquela água, mais dois companheiros que nos deixam. O Nuno Alentejano. Como um típico Alentejano, tudo é feito sem pressas e, como tal, é melhor sair depois de almoço pra chegar a casa à hora de jantar e assim desfrutar do caminho.
Aqui, meus amigos, quem tem uma Harley, também tem um pouco do espírito alentejano!!!
E o Rolph. O alemão vovô do grupo. Tinha que regressar a Lisboa mais cedo. Tinha que lá estar dentro de uma hora. Coisa pouca para este companheiro de respeito. 65 anos e um motor Revtech 2200 cc que abaixo dos 200, é derrota.

Passamos a ser sete. Seis cavalos de ferro e um caterham do grande André.
E bom.... vamos lá voltar aos banhos.
37 graus, a água a 18 e uns canos que saiam das laterais da piscina com 10 graus, davam o verdadeiro boost ao ossos.
Antes de irmos embora, ainda fomos desfrutar de uma sessão nas Termas de Sulfurea oferecido a mim aos meus companheiros.

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Aproximava-se a hora de partir e a vontade era de partir mas para outro local, que não o de regresso a casa.
Nem apetecia vestir o casaco e, durante uns bons quilómetros, não o vesti. Só resolvi usá-lo quando a hora da mosquitada chegou!

Abastecer os tanques e PUMBA... comer alcatrão. Uma hora a consumir pelos olhos as paisagens deslumbrantes até Avis, onde paramos para um café, cigarrinhos para uns e a contemplação para outros, como eu.
Havia outra coisa que era consumida mas que não era nada boa e só obstruía a visão: os mosquitos.
A partir das 18h, só tínhamos direito a ver alguma coisa nos primeiros 15/20 minutos, após o começo de uma viagem. A partir desse momento era o "salve-se quem puder" e até que dava jeito um pequeno limpa pára-brisas na viseira.

A cor desta viagem ficou marcada pelo vermelho alaranjado em que o sol estava tão brilhante que até custava olhar de frente. E apesar desta frase ser usada para fins depreciativos, era literal não olhar de frente, pois o sol encadeava a cada curva que ia na sua direcção.
Mas sempre que ficava tapado por qualquer árvore ou conjunto delas, era um quadro que se vislumbrava.
A noite instalou-se e chegou o momento de nos separarmos. Aqui, meus senhores, até a forma como quem anda de mota se despede é cinematográfica!
Uma aceno de mão, uma aceleradela e os caminhos separam-se.
Como costumamos dizer, foi bom mas soube a pouco.
Desejoso pela próxima!