Crónicas do Fidalgo

Motores

Concentração de Faro de 2015

Hoje viajamos até à Concentração de Faro de 2015

Foi naquele ano em que finalmente me decidi a ir pela primeira vez a uma das concentrações mais épicas do nosso país. Acreditam que chega a contar com mais de 15 mil motards todos os anos?

Desde miúdo que assistia através da televisão os milhares de aficionados pelas meninas de duas rodas a chegarem dos quatro cantos da Europa até ao Algarve todos partilhando de uma única e exclusiva paixão: motas! Não posso deixar de descurar aquele outro universo de manifestação artística intrínseco nesta celebração, mas a verdade é que tudo começa – e acaba – nas motos.

Nos últimos anos, o mundo dos veículos de quatro rodas, e em especial das custom bikes, tem registado um boom no que diz respeito à quantidade de aficionados e interessados. Convenhamos que uma parte significativa há de se ter tornado num seguidor de forma a seguir uma tendência de moda, embora não tenham a menor das noções do que é a realidade do custom bike.

A Café Racer, por exemplo, tornou-se numa das principais razões para todo este boom. Obviamente que não me cabe julgar ou assumir uma posição mais crítica no que diz respeito a esta nova vaga, até porque me recordo de começar a andar de mota pela altura em que este fenómeno se foi tornando mais evidente. A minha paixão vira-se para as bobbers, choppers, etc., mas ao longo destes anos aprendi a ser um amante do conceito do custom bike, conceito esse que para mim é sinónimo de transformar uma moto numa obra de arte autêntica cuja finalidade pode ser tanto pendurar numa parede como torna-la na companheira do dia-a-dia. Naquela que é a minha modesta opinião, a concentração de Faro cumpre essa função: celebrar o amor pelas motos e ao custom bike como o conhecemos. Assim como um Art & moto, um Wells & Wavs, um Born Free Show, um Twist & Fins, um Gentleman’s Ride, entre muitos outros.

Mas voltando à minha viagem a Faro.

Foi a meio de uma inofensiva conversa com o meu amigo Augusto Sousa – com quem aliás tive o maior privilégio de viajar até Biarritz –, quando decidimos ir juntos à concentração de Faro.

A esta aventura juntaram-se mais dos grandes: o José Rodrigues e o Rui Conceição.

Desta vez, a minha menina – Softail – estava mais que a postos e eu com a maior vontade em fazer-me à estrada. Um ‘chouriço’ presa à traseira com dezenas de elásticos a aguentarem meia dúzia de peças de roupa e eu com uma imensurável vontade de me fazer à estrada. Repito-me de propósito, pois, como já devem ter percebido, a vontade não podia ser maior.

O Augusto (Bobber feita pelos Rock Solid) e o Rui (Gs 1200, um sofá com rodas) partiram do Porto. Eu e o José (uma sportster com Hi Rise Handlebar) partiríamos de Lisboa sendo o ponto de largada a estação de serviço da Ponte Vasco da Gama.

A maior bênção desta viagem terá sido muito provavelmente o sol incrível que se debruçava pelos quase 300 quilómetros que separam Faro da capital. Já não me lembrava da última vez em que fiz uma viagem com um tempo daqueles. A sensação era de tal forma indiscritível que me recordo deste momento em que estava na A22 prestes a cortar para Faro e só me apetecer de seguir em frente e só parar quando a gasolina acabasse.

Acabámos por alugar esta casa a dois passos da concentração, não fosse haver a necessidade de ir a pé ou à boleia para casa pelas azões óbvias.

Mas o que seria para durar dois dais acabou por se desdobrar em quatro. A rotina desses dias era bastante simples: praia durante o dia e Bike Farm à até de madrugada (e que mais um homem pode querer no pingo do verão?). Seria neste espaço que estavam as custom bikes que entravam no concurso bem como todos os seus criadores com o respectivo stand, para além de outras criações que não estavam inscritas.

Tive a maior das sortes em deixar a minha menina dentro da Bike Farm, no Stand da David’s Performance. Não posso de deixar o meu apreço a agradecimento à Família Garcês, em especial à Graça Garcês: muito obrigado pela vossa hospitalidade.

Estendo também o meu agradecimento ao Augusto Santos pelos dois leitões que mandou vir diretamente, e obviamente, da Mealhada, não fosse ele o homem dos leitões. Também aos irmãos Sérgio e Hugo, da Rocksolid, que gentilmente cederam o seu espaço para a degustação dos dois leitões, ao Xerif da Noclass por me dar a conhecer uma das criações mais bonitas que vi até hoje, a “Nicotine” e a todos os que me fizeram sentir parte desta grande família.

O regresso a casa? Muito sol e a solo. Faro-Lisboa fez-se tranquilo, sol incrível, asfalto quente, e a minha menina cumpriu o objetivo de forma irrepreensível.

E este ano há mais :)