Crónicas do Fidalgo

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Viagem ao Egipto (parte 1)

Egipto. Um país que, através do cinema que Hollywood já produziu, criou o fascínio em qualquer ser humano de visitar este país faraónico com o rio Nilo a suscitar sensações distintas de qualquer outro rio. Não esquecendo o deserto do Sahara que também nos transporta para aventuras cinematográficas - pirâmides fazem parte desse mistério enigmático.

Eis que a oportunidade surgiu nesta altura da minha vida através do convite da Solférias. Confesso que não aceitei de imediato. As várias crises político-sociais que este país já sofreu, e em especial desde 2011, na Primavera árabe, levaram-me a pensar duas vezes. Não posso ser analista político porque não tenho qualificações para tal, nem para opinar de forma mais aprofundada sobre a cultura de um país com 6000 anos de história, mas acredito que, com a experiência de vida que tenho, posso afirmar que o que impossibilita o mundo de viver em paz, são as políticas praticadas que servem um propósito: o financeiro. Sejam as suas máscaras culturais, étnicas, religiosas, todas elas estão assentes num denominador comum. O interesse económico, o poder e o controlo absoluto.

Nos dias de hoje, o Egipto quer afirmar-se novamente como um destino de férias por excelência, tal com foi no passado. Após esta bonança que parece permanecer, a oportunidade tem de ser aproveitada.

A Solférias já trabalhava no passado com uma outra operadora turística egípcia, a Travel Ways, até a parceria ser interrompida desde a crise em 2008 e a primavera árabe em 2011. Aproveitando para reatar os laços que tinham, juntaram-se para lançar os pacotes turísticos entre os dois países. E aqui surjo eu.

Após dias de reflexão e investigação sobre o estado em que o país se encontra, decidi aceitar e convidar a minha irmã para ir comigo. Um avião fretado, um grupo de 40 agentes de viagens e mais alguns clientes que aceitaram esta oportunidade, lá partimos pra o pais de Ramses e companhia. Destino, Hurghada, a sul do Cairo, capital egípcia.

Um programa já nos esperava, onde só tínhamos um dia para desfrutar do resort onde nos instalaram, o Albatatros Beach Resort de 5 estrelas. Aqui não falta nada para quem quiser desfrutar de umas férias em família com temperaturas na casa do 35 a 40 graus e com água sempre morna. Não falta mesmo nada. Restaurante para vários gostos, parque aquático, praia privativa, quartos ou vilas, um pequeno espaço comercial e programa cultural todas as noites.

Nós só aproveitámos a praia mal chegamos e na última noite. Mas não pensem que me estou a queixar. Nem pouco mais ou menos. Aqui entra o nosso primeiro anfitrião, Khaled Mousur. Representante da Travel Ways e parceiro da Solférias. Mal chegámos, foi ter connosco ao hotel para nos apresentar as alternativas que nos estavam disponíveis e assim agendámos os nosso dias.

No primeiro dia, ficou reservado para Mahmya, uma ilha situada no Mar Vermelho e a uma hora e meia de distância do nosso Resort. Meia hora de carro e uma hora de barco.

Nesta pequena viagem de carro, já deu para ter uma ideia da cidade de Hurghada. Notámos de imediato o efeito das várias crises que o país já atravessou: grande parte das estruturas hoteleiras inacabadas, complexos de habitação maioritariamente turística a meio. Um cenário que fomos habituados a ver na imprensa ocidental por causa do terrorismo em que qualquer prédio que seja semi-construído ou destruído tenha na sua causa uma única razão: Guerra. De facto, qualquer umas das duas causas estão relacionadas. A crise económica mundial que levou muitos grupos à falência e a instabilidade social que dificultava ainda mais qualquer tentativa de investimento, quer por parte de agentes locais, quer por parte de estrangeiros.

Ou seja, qualquer sinal de destruição deixa-nos alerta mas confesso que rapidamente nos habituamos. A travessia de barco é muito agradável. Com capacidade para 30 pessoas, sem contar com os guias e tripulação, temos tempo para contemplar ambas as margens. Aqui o deserto é rei e os oásis são colírio para os olhos. Qualquer aglomerado de palmeiras no meio de uma zona árida, transposta-nos para sensações exóticas e românticas. Confesso que após a chegada à ilha, tive uma pequena desilusão mas que rapidamente se desvaneceu. O número de turistas a chegarem em vários barcos, eram consideráveis e não eram propriamente o estilo de pessoas que mais esperaríamos encontrar, mas, afinal, quem não quer um pedaço do paraíso?

O programa consiste em chegar à ilha e descansar ou aproveitar uma hora daquela água com vários tons de azul. Desde o mais escuro (não muito) até ao esverdeado, aproveitámos a água e seguirmos para outra zona, no mesmo barco para praticar snorkling e procurar o peixe Nemo. A personagem de um filme de animação em que a sua espécie provém destas águas. A boa disposição dos guias e da tripulação que nos acompanhavam, deixam-nos mais tranquilos e confiantes para mergulharmos nestas águas e encontrarmos a paz que se tem quando se pratica este tipo de actividade. O mar transporta-nos para esse estado de espírito. Talvez porque temos uma consciência mais direta do estado do nosso corpo e do nosso respirar. Ou então por outras razões que, com toda a honestidade, não consigo traduzir em palavras. Digo isto por que em miúdo passava as minhas férias em Sesimbra e o meu passatempo era o mergulho sem botija. Bastava uma máscara, retirados, barbatanas e um arpão (feito artesanalmente) ou uma faca para nós sermos o Jacques Cousteau daquelas águas.

Acordava bem cedo e lá ia eu, sozinho, com o meu equipamento religiosamente bem cuidado para estar sempre a funcionar na perfeição, a caminho da praia para desfrutar mais um dia cheio de novas descobertas. Grande parte dessas descobertas eram objetos perdidos como carteiras, recheada ou não, jóias e, quando a sorte nos bafejava com o seu poder, um linguado.

Nunca mais me esqueço da paz de espírito que me envolvia quando estava no fundo do mar.

À medida que fui crescendo, fui-me desligando desta paixão que tinha e por vicissitudes da vida, mesmo com o surf a entrar nela aos meus 16 anos. Dou por mim com 38 anos em Arraial do Cabo, Brasil, com um ataque de pânico no momento em que ia ter o meu batismo de mergulho com botija. Impressionante como nos deixamos levar por tantas coisas que nos fazem afastar dos reais interesses da vida. Confissões à parte, dou por mim na mesma situação mas sem botija e com um ambiente mais descontraído. Águas mais transparentes, e a cor do dia bem mais agradável do que naquele dia em Arraial do Cabo. Um local igualmente paradisíaco onde tive o azar de o dia não estar tão convidativo ou simplesmente porque a minha cabeça não estava tão disponível.

Prova superada e senti-me aquela criança que outrora se aventurava sozinha por “mares nunca antes navegados”. Lol, deixei-me levar pelo entusiasmo da escrita. As minhas desculpas.

Após este grande feito, mas sem vislumbrar o Nemo, voltámos para a ilha para aproveitar mais duas horas daquele paraíso e aproveitar para tirar aquelas fotos que todos nós gostamos.

Na volta, ainda deu para ver uns golfinhos que fizeram questão de nos acompanhar na viagem de regresso até ao Porto de Hurghada e terminámos o nosso dia na praia privativa do nosso Report.

Que dia, meus amigos, que dia!!!

Mas calma que o dia ainda não terminou!

(Saibam mais amanhã).