Crónicas do Fidalgo

Lugares

Andar de mota ao sabor da arquitectura

Aproximam-se os dias longos de sol, que pedem para ser aproveitados em viagens de mota. E porque não ao sabor da arquitectura? Conhecer os lugares mais belos do nosso país onde a construção de edifícios comunga na perfeição com a natureza. Não podemos deixar de apreciar!

E quando verdadeiras obras de arquitectura estão mesmo debaixo dos nossos olhos? Em Lisboa temos inúmeros exemplares de perder a cabeça mas, hoje, destaco o Teatro Luís de Camões. Está na Calçada da Ajuda há tantos anos que quase nem damos por ele. A verdade é que ele foi construído no século XIX e em 2017 reabriu restaurado pelas mãos dos arquitectos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira. Alteraram o mínimo possível e decidiram manter o branco e dourado. Afinal, arquitetura é também saber enquadrar. Por isso, alteraram apenas o chão, eliminaram algumas filas da plateia, pontuaram com veludo e alteraram uma das portas de entrada.

Teatro Luís de Camões

Teatro Luís de Camões

Fernando Guerra

Fernando Guerra

Se formos até Évora, mais concretamente a Mora, podemos encontrar o Museu do Megalitismo. Um museu que apresenta a corrente que valoriza os tipos de edificações em grandes blocos de pedra construídos na pré-história. O edifício só podia, também ele, ser histórico. É uma antiga estação de caminhos de ferro com um interior em madeira. O que é que poderia ser mais surpreendente? Recuperado em 2016 pela CVDB arquitectos e por Tiago Filipe Santos, dá relevância ao património da cidade.

Museu do Megalitismo, em Mora

Museu do Megalitismo, em Mora

Fernando Guerra

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Já em Azeitão, podemos encontrar uma habitação muito peculiar que ficou a cargo do Extrastudio. Com um vermelho esbatido, quase a fazer lembrar a cor de uma nódoa de vinho, é uma casa reabilitada a partir de uma adega. Tornou-se num pequeno oásis rodeado por um pomar e onde só é possível aceder através de um beco. Apesar de ser uma habitação pessoal e de ser difícil de conhecer o seu interior, vale bem a pena fazer o desvio!

Fernando Guerra

Fernando Guerra

Se descermos até ao Algarve, encontramos a Casa Carrara arquitetada por Mário Martins. De linhas direitas e longilíneas, brinca com o cheio e o vazio dos espaços quase de forma escultória. Aqui, os blocos de cimento bruto procuram dar vida através da formação de espaços de convivência.

Casa Carrara

Casa Carrara

Fernando Guerra

Fernando Guerra

E se pelo caminho pararmos para comprar uma fruta enquanto apreciamos uma obra arquitectónica? É o que podemos fazer no Mercado Municipal de Abrantes. Construído com duas frentes para duas ruas paralelas mas com cotas diferentes. Uma mais alta do que a outra. O facto de ser um edifício estreito permitiu que se desenvolvesse o interior de forma a criar mais zonas de espaço. Vale a pena visitar para conhecer a forma como a ARX pensou na possibilidade tornar espaçoso aquilo que, por natureza, é afunilado.

Mercado Municipal de Abrantes, assinado pela ARX

Mercado Municipal de Abrantes, assinado pela ARX

Fernando Guerra

Junto ao mar da praia da Costa Nova, em Aveiro, encontramos o Centro Cultural da Costa Nova, projectado pela ARX. O contexto natural que o envolve exigiu que a construção só pudesse ter sido em madeira. Tem uma abordagem claramente contemporânea que quase nos remete para as casas de praia nas Bahamas. A dinâmica criada pelos passadiços, que culminam num espaçoso terraço com vista para o mar, deslumbram o olhar de qualquer um.

Fernando Guerra

Logo a seguir, em Matosinhos, uma proposta que foi projectada por um dos grandes nomes da arquitectura portuguesa. A Casa de Chá da Boa Nova foi um dos primeiros projectos de Álvaro Siza Vieira. Tem uma vista imensa sobre o horizonte e está de tal forma em comunhão com a natureza que quase se disfarça no meio das rochas. Contudo, não podemos passar por aqui sem degustar o menu do restaurante que se encontra no interior. São momentos de descanso que merecem ser saboreados.

Casa de Chá da Boa Nova, um dos primeiros projectos de Álvaro Siza Vieira

Casa de Chá da Boa Nova, um dos primeiros projectos de Álvaro Siza Vieira

Fernando Guerra

Fernando Guerra

Fernando Guerra

E que tal terminar a viagem no Gerês? Para além da calma que o caracteriza - e que nos permite descansar do frenesim do dia-a-dia -, podemos ainda encontrar a Casa da Montanha projectada pela (A) Ainda Arquitectura. É quase a casa da árvore que preenche os nossos sonhos com uma vista de fazer cortar a respiração. Ampla e revestida com madeira, quase que a confundimos com a própria natureza!

Fernando Guerra

Fernando Guerra

A arquitectura não é para ser apreciada apenas por aqueles que a estudaram. Cada um de nós pode dedicar um bocadinho de tempo a pensar que cada linha traçada não foi feita por acaso. Uma boa maneira de descansar a reflectir!