Crónicas do Fidalgo

Experiências

O seu cão faz-lhe olhinhos?

É natural. É que a anatomia dele evoluiu para que possa reforçar laços com os humanos.

Quem o diz é um grupo de investigadores americanos, ingleses e um português (Rui Diogo, da Faculdade de Medicina da Universidade de Howard, em Washington, nos EUA), que acredita ter encontrado uma explicação para aquela expressão que nos deixa logo derretidos e prontos a ceder às vontades dos nossos amigos de quatro patas! Os cães podem ter desenvolvido músculos à volta dos olhos, que lhes dão expressividade, para reforçar os laços connosco, humanos, adianta o Público!

Como refere o estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a anatomia muscular do focinho de um cão foi sendo redesenhada para permitir a comunicação facial com pessoas. A transformação mais flagrante, em termos de comportamento, terá sido capacidade de entender os sinais humanos "de uma forma que nenhum outro animal consegue”.

“O processo de domesticação transformou lobos em cães e mudou os seus comportamentos e anatomia”, começam por esclarecer os investigadores.

Foi por isso que, para verificar se a domesticação teria interferido nos músculos faciais, os investigadores compararam focinhos dissecados de quatro lobos cinzentos e de seis cães domésticos. Quantificaram ainda os movimentos faciais de nove lobos a viver em reservas protegidas no Reino Unido e na Alemanha e de 27 cães de vários abrigos ingleses, analisando a sua frequência e intensidade durante interacções sociais com humanos, em intervalos de dois minutos, aproximadamente.

As conclusões? A musculatura de ambos é "relativamente uniforme". Menos "à volta do olho": enquanto que nos lobos se verificou um "escasso aglomerado de fibras musculares", no caso dos cães existia um músculo que lhes permitia levantar as sobrancelhas. É este traço que pode provar que a domesticação poderá ter alterado a anatomia dos cães. Em termos de alterações genéticas, sabe-se que "o corpo do cão sofreu pressões". Mas este teste mostra que as diferenças anatómicas se verificam "no tecido mole" o que, para os investigadores, é “uma diferença curiosa para espécies que estão separadas apenas por 33 mil anos”.

É através do contacto visual entre cães e humanos que os primeiros percebem, por exemplo, quando uma ordem é dirigida a ele. Além do mais, “a motivação que leva um cão a estabelecer contacto visual com o dono pode ser um indicador do vínculo existente entre ambos”. avança o estudo citado pelo Público. O olhar entre cães e humanos é, portanto, fundamental.

É caso para dizer: O que dizem os olhos do seu cão?