Crónicas do Fidalgo

Experiências

#NãoéNormal

Tudo começou com um vídeo humorístico de Diogo Faro, sobre o machismo.

O comediante pediu a mulheres que já tivessem sido vítimas de assédio sexual que lhe enviassem um vídeo em que dissessem “eu”. Não sonhava com a “Caixa de Pandora” que estava a abrir.

A partir daí começaram a chegar-lhe centenas de relatos de assédio, violência e violação que não lhe podiam ser indiferentes. Decidiu pôr essas histórias “nas bocas do mundo”. “Expus as histórias para que o máximo de gente possível tivesse noção da dimensão e gravidade do problema. Apesar de agora muitos dizerem “como é que este otário só percebeu agora?”, duvido que muitos (e muitas) tivessem noção do que realmente se passa, principalmente no que diz respeito a violações, tendo em conta que a maioria das vítimas não faz queixa nem diz a quase ninguém e fica a sofrer em silêncio”, partilha num texto que escreveu para o Sapo.

Estava assim dado o mote para o que é hoje um Movimento intitulado #NãoÉNormal. Juntou-se a amigos (a saber: a Ana, a Margarida, a Madalena, o Luís e o Gonçalo) e traçaram as ideias e o caminho que podiam seguir para contribuir para a diminuição de comportamentos machistas na sociedade.

Criada a imagem e o manifesto, as ideias não param de fervilhar. O movimento foi, inclusivamente, apresentado à Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade de Género e à sua equipa. Além disso, o #NãoéNormal tem percorrido várias escolas do país no sentido de consciencializar as camadas mais jovens para comportamentos que… não são normais.

“Não é normal, mesmo depois de um primeiro beijo, um não ser ignorado”. “Não é normal ter de esconder o corpo, só porque ele está a mudar.”Não é normal não saber, perceber ou aceitar que ‘não’ é ‘não’”. “Não é normal agredir, humilhar, violar”, são algumas das frases que têm tanto de simples como óbvias, mas que - infelizmente - são tão necessárias e urgentes. Frases que são “murros no estômago” e se fazem acompanhar por ilustrações que são chamadas de atenção para todos nós.

Divulguemos o que #NãoéNormal. Porque não é normal - levando emprestadas as palavras sábias do manifesto do movimento - “um assunto tão certo ter um caminho tão difícil. E isso tem de mudar”.