Crónicas do Fidalgo

Experiências

Slow também é bom. E é preciso.

Alguma vez sentiram que têm de abrandar? A minha profissão é exigente. São muitas horas de gravação, muitos guiões para memorizar e interpretar… Ser actor é- como tantas outras profissões - física e psicologicamente extenuante. E fora da nossa vida profissional ainda há a pessoal para balançar: a casa, os filhos para dar atenção, os amigos, familiares… O relógio não pára e de certeza que, tal como eu, já deram por vocês a pensar: devia abrandar.

Por isso é que, quando me deparei com esta entrevista a Carl Honoré, fundador do Slow Movement. no Observador, esta ideia ganhou ainda mais “luzes de alerta”.

O título do artigo escrito pela jornalista Ana Cristina Marques, só de si, faz logo “parar o trânsito”: “Ninguém está no leito de morte a pensar que gostava de ter passado mais tempo no Instagram”, disse-lhe Carl.Pois não. Completamente verdade. Por isso, porque é que passamos tanto tempo agarrados a esta e outras redes sociais, numa sede sôfrega, num medo permanente de perder alguma novidade? Porque é que corremos pela vida sem vivê-la, para cumprir tarefas que muitas vezes nos foram impostas e deixamos de parte aquilo - e aqueles - que verdadeiramente vamos "levar daqui", seja para onde nós formos quando este nosso "filme" acabar?

Carl Honoré é jornalista, escritor e autor de vários best-sellers. Além disso, este canadiano nascido na Escócia - que é também palestrante do TED - fundou o Slow Movement, um movimento que contraria a correria do dia-a-dia, as longas horas de trabalho, as agendas a abarrotar de tarefas e promove, em contrapartida, o abrandamento em nome do nosso bem-estar, tanto individual como colectivo.

Honoré falou ao Observador de uma cultura obcecada com a produtividade, tanto no trabalho como em casa (e até no quarto!).

Falou ainda da saúde mental que - felizmente, na minha modesta opinião - é cada vez menos um tema de tabu. Referiu ainda que tanto as empresas como as próprias pessoas estão cada vez mais cientes da forma precária como estão a usar o seu tempo. E voltamos ao título, que referi ali em cima: “Ninguém está no leito de morte a pensar que gostava de ter passado mais tempo no Instagram, no escritório ou nas compras. No entanto, estas coisas ocupam muito do nosso tempo. A cultura está, cada vez mais, a valorizar a experiência humana. E a experiência humana não pode ser acelerada“.

Carl conta que fundou o Slow Movement por um motivo muito pessoal. Preparem-se: muitos de vocês, desse lado, vão identificar-se com esta história:

"Quando tudo é uma corrida contra o tempo eventualmente há uma chamada de atenção, algo recorda-nos que nos esquecemos de abrandar e que isso nos faz mal. Muitas pessoas têm problemas de saúde ou sofrem burnouts, mas a minha chamada de atenção foi quando comecei a ler à pressa histórias para adormecer ao meu filho — nesses dias não conseguia abrandar. Contava “A Branca de Neve e os Sete Anões” à pressa: em vez de serem sete anões, eram três. Lembro-me de ter ouvido falar de um livro chamado “Histórias para adormecer em um minuto” e de pensar que era uma ótima ideia. Depois percebi que era de loucos, que estava correr pela minha vida fora em vez de a viver."

Passou um ano a viajar à volta do mundo, a investigar esta dependência que temos em relação à velocidade, a estarmos sempre ocupados, a fazer tudo rápido, depressa, cada vez mais depressa! Regressou com uma ideia clara e simples: "Não tem de ser assim."

Para ler mais aqui.

Desse lado, quantos de vocês precisam de abrandar?