Crónicas do Fidalgo

Experiências

Os gigantes do mar poluem mais que todos os carros

O tópico “poluição” não é novo e tem vindo a ser cada vez mais discutido. Várias acções têm sido implementadas pelos governos e os hábitos começam a mudar, como a alimentação vegan, cada vez mais presente, ou o uso de bicicletas, de modo a substituir os poluentes carros. Ainda assim, há algo de que todos nos estamos a esquecer: segundo a Razão Automóvel, um estudo realizado pela Carbon War Room revelou que os 15 maiores navios de transporte de mercadoria emitem mais óxidos de ozoto (NOX) e enxofre, que os 1.300 milhões veículos de todo o mundo. No total da poluição produzida, a dos navios corresponde a cerca de metade da que é emitida pelos veículos de todo mundo. Conclusão: a maior parte da poluição no ar é gerada por estes navios gigantes que, apesar de concentrada em mar alto, chega em quantidades mais reduzidas às cidades, especialmente as costeiras.

Como é que estes navios funcionam? Os cerca de 50 mil navios existentes, segundo a Medium, possuem motores movidos a óxidos de nitrogénio, óxidos de enxofre, monóxido de carbono (CO) e compostos orgânicos não voláteis (NMVOC). Apesar de existirem navios que utilizam um combustível mais limpo, o uso do mesmo gera igualmente poluição, porque uma maior quantidade de óleo é usada nos seus componentes. Quanto mais óleo é queimado, mais poluição é gerada. Como consequência, não é apenas o ar que é poluído. O mar e a vida marinha sofrem danos directos, devido à quantidade de combustível derramado nos oceanos, ao ruído causado pelos motores e ainda às águas residuais que são libertadas para o mar. Tudo isto contribui para a degradação da vida marinha. Estas são as razões pelas quais muitas tartarugas não conseguem desovar na orla costeira, pelas dificuldades que estas ultrapassam para lá chegar. São as mesmas razões pelas quais são encontradas cada vez mais espécies, como tubarões e baleias, a dar à costa. Há ainda que lembrar que grande parte dos dejectos produzidos em terra chegam ao mar pelos esgotos, o que faz com que sejam os oceanos as maiores vítimas das más acções, tanto em terra, como no mar.

O grande problema é travar o uso abusivo dos grandes navios de transporte marítimo de mercadoria. Segundo o The Economist, o preço do transporte marítimo é muito baixo e as empresas não reduzem o uso do transporte por mar. A diminuição do uso deste meio tem de ser gradual e torna-se muito dispendiosa economicamente.

Portugal encontra-se neste momento num impasse que se relaciona, precisamente, com este tópico.

Em Fevereiro, o Jornal Económico lançou a notícia de que a ministra do mar, Ana Paula Vitorino, anunciou um investimento, com meta em 2023, no Porto de Leixões. O objectivo é aumentar o quebra-mar e, com isso, a competitividade. As obras visam prolongar o quebra mar em 300 metros, entre outras alterações.

O Jornal de Notícias avança agora que a Assembleia Municipal de Matosinhos rejeitou solicitar a suspensão do concurso para prolongar o quebra mar do Porto de Leixões. Tal proposta de suspensão, apresentada pelo BE e PSD, pedia a suspensão, justificando-a com a falta de informação relativa aos prós e contras da obra, incluindo o impacto ambiental e a qualidade de vida dos habitantes.
Se por um lado o Porto de Leixões possui importância económica, e reforçar a sua competitividade é importante, por outro lado, os impactos de uma possível obra de aumento do quebra mar, devem ser estudados.

Neste âmbito, várias são as críticas, entre elas, as dos surfistas, de acordo com o Jornal de Notícias.
O surf é uma das actividades que mais turistas atrai à zona, devido à “onda de Matosinhos”. A costa destas cidades tornou-se um destino preferido para surfar em Portugal, onde muitos campeões se dirigem e outros aprendem a surfar nas escolas das imediações.

Agora, os surfistas admitem o seu receio em relação ao aumento do quebra mar, o que pode vir a prejudicar a circulação da água, e põe em risco a “onda de Matosinhos”. Isto porque, segundo o Jornal de Notícias, construir um pontão poderá estagnar as águas.

Surfer Today

De acordo com o Público, a autarquia local diz que está a trabalhar com a Administração dos Portos do Douro e Leixões, de modo a chegar a uma decisão que beneficie todos. A Câmara Municipal de Matosinhos aprovou, ainda, um documento que defende que as obras no Porto de Leixões só devem avançar depois de ser apresentado todo o projecto, assim como o seu impacto ambiental.
Por um lado, a economia pesa. Por outro, uma possível extensão do Porto de Leixões - e chegada de mais navios - causa impacto na poluição.

Existem, ainda assim, boas notícias. A ONU pretende restringir a poluição destes grandes do mar até 2020. Tal acção, no entanto, pode trazer reflexos no preço dos objectos no momento da compra. Um telemóvel pode tornar-se mais dispendioso, por exemplo. Segundo a Razão Automóvel, cerca de 90% das mercadorias de todo o mundo são transportadas pelo mar.