Crónicas do Fidalgo

Experiências

Por favor, falem de sexualidade!

Desde que a série estreou em Janeiro no Netflix, certamente já vos perguntaram “Já viste Sex Education?”. Pois não, ainda não vi. Mas mesmo sem ver, apenas pelos relatos que vou ouvindo, reconheço-lhe o mérito pela sua necessidade. É preciso falar disto! De sexualidade! (E sim, junto dos mais novos!)

Esclarecer os jovens pré-adolescentes a respeito da responsabilidade que é conhecer o seu corpo e respeitar o corpo do outro é imprescindível. O tema ainda é alvo de alguns mitos e, infelizmente, em algumas casas de família e escolas ainda é tabu.

“A adolescência é altura das descobertas” e é nela que os jovens se começam a definir. A totalidade do organismo - tanto a nível físico quanto psicológico- passa por transformações que abandonam os comportamentos infantis e iniciam algumas rotinas adultas. É muitas vezes neste período de tempo que se inicia o processo de auto-conhecimento do corpo e se inicia a vida sexual.

Ao contrário do que muitos podem pensar, no conceito de educação sexual não se fala de sexo. Fala-se do que pode vir depois dele e do que convém saber antes. Fala-se de métodos de prevenção e das doenças que se podem transmitir se estes não forem usados. Fala-se dos riscos da gravidez precoce, do que é fazer um aborto e das consequências que este pode ter. Fala-se do corpo e das diferentes formas que este pode assumir. Explica-se que é normal um menino brincar com barbies e uma menina brincar com carrinhos telecomandados. Ainda acham que se deve censurar este assunto?

A ideia de que sexo não é conversa para crianças contribui para aguçar a curiosidade que paira nas cabecinhas com uma imaginação interminável. Se não tiverem as respostas às suas “inconveniências”, tanto em casa como na escola, os colegas “sabe-tudo” entram em acção. E nunca se sabe quem é que eles podem ser. Na maioria das vezes, acabam por deturpar a informação e criam falsas verdades.

Paralelamente, é tão importante informar sobre a sexualidade quanto sobre o corpo. Não há um corpo perfeito, nem mesmo aqueles que aparecem nos desfiles de moda. E isto faz parte da educação sexual! A diferença é que esta educação se estende a todas as idades. Como é que se pode educar uma criança para a dissipação da discriminação através do corpo se os próprios adultos ainda não o sabem fazer? Por isso, mais uma vez, é preciso fazer com que as pessoas dêem de caras com a realidade.

Hilde Atlanta, uma ilustradora holandesa, desenvolveu o The Vulva Gallery Book. Segundo o P3, é ideal para quem gosta, para quem não gosta, para quem a tem ou não tem. Porque todos sabemos que ela existe e não deve ser ignorada só porque, normalmente, anda tapada. Aqui ilustram-se os pelos púbicos, a mudança de forma dos lábios vaginais, a menstruação e as diferenças anatómicas. A autora ambiciona mudar a forma como a encaramos. Eu espero o mesmo - tanto no caso das mulheres como no caso dos homens!