Crónicas do Fidalgo

Experiências

Branko traçou o seu próprio "Atlas" e tornou-o "Nosso"!

Conhecem o João Barbosa? Não? Mas aposto que já ouviram falar no Branko! São a mesma pessoa e Branko é já um dos nomes mais sonantes da música electrónica.

O seu sonho de miúdo era ter uma banda até que um dia instalou um programa de música no computador do pai. Começou por fazer pequenas brincadeiras e desde aí que não quis outra coisa.

Lançou-se nos Buraka Som Sistema há quase quinze anos. Aqui estabeleceu o seu primeiro contacto com os palcos, o público, a fama e, acima de tudo, com aquilo que é estar numa banda com um carisma tão forte. Os Buraka sempre foram conhecidos pela sua presença em palco, pela ligação que estabeleciam com a cultura africana, pela sua efusividade com o público, por terem conseguido quebrar um paradigma e terem trazido para Portugal um conceito completamente novo.
Foi também há quase 15 anos que, em parceria com o seu colega de banda Kalaf Ângelo, criaram a Enchufada. É uma editora discográfica independente sediada em Lisboa e funciona como um espaço criativo com um estilo e foco musical muito vincado: o kuduro.

Em 2018 desenvolveu uma série documental chamada “Club Atlas” que foi exibida na RTP2 e que procurava conhecer as tendências musicais espalhadas por cidades como Lima, Montereal, Bombaim, Arca, São Paulo ou a Cidade da Praia. Isto fez com que Branko conhecesse novos ritmos tradicionais e pudesse aliá-los à música electrónica. Este projecto culminou no seu primeiro álbum que foi lançado em 2015. Chama-se Atlas e faz todo o sentido que assim seja. Um dos princípios das produções de Branko é que a música venha do mundo e que a ele pertença.

Os dois projectos trabalharam lado a lado e no álbum podemos encontrar um tipo de música que apela à descontracção e à dança mas também mostra que "existem linguagens musicais conotadas com diferentes cidades que acabam por expor sotaques, visões e modos de fazer muito diversos, embora ao mesmo tempo também façam parte da mesma linguagem global", tal como Branko diz numa entrevista ao Público.

Esta aqui em baixo faz parte do "Atlas Extended", um disco de remixes e novas canções. Uma nova viagem, mais profunda e alargada ainda, depois de "Atlas". Esteve em repeat durante algum tempo.


Mais recentemente, Branko lançou novidades fresquinhas no mercado, que é como quem diz um novo álbum: "Nosso". À Visão conta que o que mais quer é que este novo trabalho "contribua para uma vaga da música em português pelo mundo”. É que os anos passam mas o seu objectivo continua a ser o mesmo: fazer com que a música feita em português se torne global.

"Nosso" saiu no dia 1 de Março e, apesar de ter várias colaborações estrangeiras, tem sempre bem marcada a influência lusófona, seja nas letras ou no ritmo.

Continua a internacionalizar-se (ainda mais) e vai dar concertos em Dublin, Berlin e Lund. Este ano, em Portugal, podemos vê-lo no Super Bock Super Rock que irá regressar ao Meco e no Teatro Aveirense. São, para já, os espaços apontados para conhecermos este jovem rapaz que tem dado cartas!

Deixo-vos uma das músicas do novo trabalho, para que possam ficar tão embalados quanto eu! E lanço um desafio: será que conseguem ficar parados?