Crónicas do Fidalgo

Experiências

Januhairy: as mulheres não têm de se depilar

Ainda agora começámos o ano e já foi lançado um desafio a todas as mulheres: o Januhairy. Sim, “hairy”. É que a iniciativa pretende quebrar os duplos padrões relacionados com os pêlos e retirar dos ombros das mulheres o peso da obrigação de se depilarem - se elas assim entenderem.

Tudo começou quando Laura Jackson, uma estudante inglesa de teatro de 21 anos, deixou crescer os pelos para uma peça, em Maio. Passadas umas semanas, começou a gostar do que via. E ainda que se sentisse confiante com o seu corpo tal como estava, muitas das pessoas à sua volta não percebiam porque é que Laura não se depilava. “Percebi que ainda falta muito para nos aceitarmos uns aos outros verdadeiramente. Só quero que as mulheres se sintam confortáveis nos seus próprios corpos”, conta. Daí a ter criado uma campanha no Instagram (@janu_hairy) foi um passo. Também deu início a um crowdfunding que pretende reunir cerca de 1100 euros, destinado a um programa educacional sobre imagem corporal, que tem vindo a ser desenhado pela organização sem fins lucrativos Body Gossip.

Laura Jackson, criadora do "Januhairy".

Laura Jackson, criadora do "Januhairy".

Instagram: @janu_hairy

A hashtag #januhairy já reuniu perto de 3000 publicações, algumas delas de mulheres que decidiram parar de se depilar. Pelo menos, durante este mês.

E já que estamos a falar de assuntos "peludos", o P3 destacou - e bem - que foi apenas o ano passado que uma marca de produtos para a depilação feminina mostrou pela primeira vez, nos seus anúncios publicitários, pele com... pêlo.

Parece mentira, mas desde 1915 - ano em que foi lançado o primeiro anúncio a uma lâmina depilatória - todas as marcas apostaram em peles macias e suaves, já depiladas, para demonstrar as capacidades dos seus produtos!

Foi a marca de produtos depilatórios Billie que decidiu quebrar o padrão: apresentou um anúncio onde mostra mulheres com pêlos nas pernas, axilas e virilhas. “Pêlo corporal: o mundo faz de conta que não existe. Mas existe, nós confirmamos. Por isso, quando, como e se quiseres, nós estamos aqui”, comunica a marca no anúncio. Reforço: "Quando, como e SE quiserem". É que ao omitir a principal razão de ser dos anúncios para produtos de depilação - o pêlo - as marcas não só não demonstram eficazmente o desempenho dos seus produtos como também perpetuam o tabu em torno de algo tão natural como o pêlo.


Ora vejam: