Crónicas do Fidalgo

Experiências

Struggle: A Vida e a Arte Perdida de Szukalski

Stanislav Szukalski - Netflix

A história por detrás deste documentário da Netflix, que nos conta a história do talentoso e obscuro artista polaco Stanislaw Szukalski, é tão estranha como a própria trama do filme.

Szukalski estava nos seus “oitentas”, a viver em Granada Hills, no extremo ocidental de San Fernando Valley, fora de Los Angeles, quando foi re-descoberto, em 1971. Do nada, como o próprio documentário explica. Um coleccionador local de banda desenhada, chamado Glenn Bray, cruzou-se por mero acaso com um antigo livro de Szukalski e rapidamente ficou obcecado pela sua figura e trabalho. Acabou por descobrir que o artista vivia muito perto de si.

Coincidentemente, Szukalski gostava de falar e de ter público. Por isso, Bray começou a convidar outros artistas e amigos para ouvirem o velho artista falar. Uma dessas pessoas era George DiCaprio, que costumava levar consigo o seu filho, Leonardo.

Um dia, Szukalski pegou numa cópia de uma monografia da família DiCaprio e escreveu, na capa do livro, para a criança: “Um aviso: por favor, não cresças muito rápido.”

Glenn Bray começou a registar os encontros com Szukalski, as suas histórias de vida e mitologias pessoais bizarras, como o “Zermatismo”, ou a sua crença de que as pessoas estão sob o controlo de uma raça híbrida de humanos e yetis (estão a ver o “Abominável Homem das Neves”? Também é conhecido como Yeti).

O filme coloca os holofotes sobre a vida de Szukalski e sobre as dificuldades que enfrentou durante a Segunda Guerra Mundial. Nascido na Polónia, em 1893, mudou-se várias vezes entre Chicago e o seu país natal, como jovem artista em ascendência. Em 1934 a Polónia considerou-o como um dos maiores artistas vivos e o Museu Nacional Szukalski, em Varsóvia, acolhia a maior parte das suas pinturas mais obscuras e esculturas mais massivas, notáveis pela sua imagética mitológica dramática.

Com a invasão da Polónia pelos Nazis, em 1939, o museu e grande parte do trabalho de Szukalski (o trabalho de uma vida) foi destruído. O artista fugiu para os EUA e instalou-se em Los Angeles, onde teve vários trabalhos, continuando a escrever e a trabalhar na sua arte, à medida que “escorregava” para a escuridão total. Até que Bray o descobriu.
Bray, George e Leonardo DiCaprio, como tantos outros, ficaram “presos” pelo magnetismo de Szukalski, muito depois da sua morte, em 1987. O actor é um conhecido coleccionador das esculturas do artista polaco e foi um dos financiadores de uma retrospectiva do seu trabalho em 2000, no Laguna Art Museum. Agora, assina o documentário “Struggle” como produtor, ao lado do seu pai e sob a realização de Irek Dobrowolski.

Uma vida atribulada e um corpo de trabalho complexo e intrincado, para ver na Netflix.