Crónicas do Fidalgo

Experiências

Os 12 filmes da minha vida!

Talvez o título seja um pouco exagerado: tenho uma imensidão de filmes por ver pela frente. Mas, por mais anos que passem, alguns filmes deixaram em mim uma marca que parece ser impossível de apagar. Comoventes, viscerais, intrigantes, sanguíneos... Partilho convosco uma pequena lista das obras que não me deixaram indiferente!


1. Fight Club (1999)
Realizador: David Fincher
Com: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter


"A primeira regra do Clube de Combate é: não falar do Clube de Combate. A segunda regra do Clube de Combate é: não falar do Clube de Combate. A terceira regra do Clube de Combate é: dois homens por luta."

O livro "Clube de Combate" de Chuck Palahniuk foi adaptado para o cinema por David Fincher em 1999. Chegou às salas em Outubro desse ano, com interpretações brilhantes de Edward Norton, Brad Pitt e Helena Bonham Carter, entre outros. Mas, curiosamente se apesar de ser hoje um filme de culto, foi uma desilusão comercial!

"Fight Club - Clube de Combate" conta-nos a história de um homem, interpretado por Edward Norton, um jovem executivo que trabalha no ramo dos seguros, que está cada vez mais insatisfeito com a sua vida banal, medíocre. O vazio existencial, tenta preenchê-lo com o consumo desenfreado. Mas quanto mais enche o apartamento. com futilidades, mas vazio se sente. Norto é a figura central do filme e o narrador da sua própria história - um passo magistral que faz com que se aproxime ainda mais de cada um de nós e nos leva a questionar se estaremos a viver de uma forma tão distinta da dele. Para ajudar a esta crise, o narrador sofre de insónias e procura curá-la a frequentar grupos de auto-ajuda. É nesta fase conturbada da sua vida que se cruza com a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e o misteriorso Tyler Durden (Brad Pitt). É precisamente Tyler que lhe apresenta um grupo secreto onde tensões e angústias são exorcizadas através de violentos combates físicos, corpo a corpo. Sem limites.

2. Vanilla Sky (2001)
Realizador: Cameron Crowe
Com: Tom Cruise, Penélope Cruz, Cameron Diaz

O filme é contado a partir de uma prisão onde David Aames Jr. (Tom Cruise), um jovem empresário dono de um império editorial, conta ao seu psicólogo (Kurt Russel) a história que o levou até ali, sob a acusação de homicídio. A sua vida desafogada sofre uma reviravolta quando conhece Sofia Serrano (Penélope Cruz), uma jovem por quem se apaixona. Esta aproximação desperta os ciúmes de Julie Gianni (Cameron Diaz), "amiga colorida" de David Aames Jr., que queria muito mais do que uma mera aventura com ele. Um dia, ao sair de casa de Sofia, David encontra Julie, que o convence a entrar no carro dela. Cega por ciúmes e num acesso de loucura, Julie atira o carro de um viaduto. Ela acabou por morrer. David sobrevive, mas fica com o rosto completamente desfigurado. Ao acordar de um coma de três semanas, David vê-se imerso num cenário em que a realidade e a fantasia se confundem de uma forma desconcertante.

3. Os Condenados de Shawshank (1994)
Realizador: Frank Darabont
Com: Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton

Outro filme que passou despercebido nas salas de cinema e que entretanto, mais de 20 anos volvido, goza de um estatuto alcançado por poucos! O filme Condenados de Shawshank foi criado a partir da primeira de quatro novelas da autoria de Stephen King, compiladas na colectânea "Different Seasons".


Conta-nos a história de Andy Dufresne (Tim Robbins), um banqueiro bem sucedido condenado a prisão perpétua por dois homicídios que não cometeu. Os Condenados de Shawshank retrata a forma única como um homem lida com esta nova e tortuosa realidade, onde se cruza com pessoas sem escrúpulos e é sujeito a duras provações. Ao longo da sua jornada na prisão conquista o respeito dos seus pares e torna-se amigo de vários prisioneiros, entre os quais Ellis Boyd 'Red' Redding (Morgan Freeman), o narrador da história.


Uma curiosidade: apesar de não ter tido grande sucesso nas bilheteiras pelo mundo fora e de nem os críticos lhe terem valido, foi a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela atribuição dos Óscares, que lhe encontrou potencial! Os Condenados de Shawshank foi a grande surpresa entre os nomeados em 1995. Com um total de 7 nomeações, partilhou o segundo lugar em ex aequo com "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino e "Balas sobre a Broadway", de Woody Allen, num ano em que "Forrest Gump" conquistou 13 nomeações. Acabou por ser este último a grande estrela da edição dos prémios desse ano.
Mas apesar de as nomeações de Os Condenados de Shawshank - que incluíam a de Melhor Filme, de Melhor Argumento Adaptado para Frank Darabont e de Melhor Actor para Morgan Freeman - não terem terminado com prémios, já não havia volta a dar: o filme merecia um novo e mais atento olhar!

4. Lendas de Paixão (1994)
Realizador: Edward Zwick
Com: Anthony Hopkins, Brad Pitt, Aidan Quinn, Henry Thomas, Julia Ormond


O filme conta-nos a história de um antigo coronel do exército (Anthony Hopkins) que para livrar - em vão - os seus três filhos, Tristan (Brad Pitt), Alfred (Aidan Quinn) e Samuel (Henry Thomas), da 1ª Guerra Mundial, se refugia nas montanhas de Montana. Alfred, o mais velho, é o mais reservado. Samuel é o mais novo, protegido por todos. O do meio, Tristan, tem um espírito mais aventureiro, que ganhou com os índios. Ao trazer de voltar para o Rancho do pai Susannah (Julia Ormond), a noiva de Samuel, dá início a uma disputa de paixões entre irmãos.

5. Entrevista com o Vampiro (1994)
Realizador: Neil Jordan
Com: Tom Cruise, Brad Pitt, Christian Slater, Kirsten Dunst, Antonio Banderas


Baseado no livro homónimo de Anne Rice, Entrevista com o Vampiro centra-se numa longa conversa entre Malloy (Christian Slater), um curioso jornalista, e Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt), um homem misterioso que se revela, afinal, ser um vampiro. Louis conta então como se transformou numa criatura imortal no séc. XVIII graças a Lestat de Lioncourt (Tom Cruise). Lestat acredita que deu a Louis a dádiva da vida eterna. Louis, por seu lado, acredita ter sido condenado ao inferno e é assoberbado por uma crise existencial, onde passa o tempo a tentar encontrar um significado para a sua condição. Mas se, no início, estava reticente quanto a retirar vida a seres humanos, preferindo alimentar-se apenas de animais, acaba por não resistir ao instinto e morde uma criança, Claudia (Kirsten Dunst), que acabou por se tornar na razão da sua existência.

Curiosamente, em entrevista à revista britânica Psychologies, Brad Pitt confessou estar arrependido de ter participado no filme. "Foi uma das piores experiências da minha vida", contou!

6. Thelma e Louise (1995)
Realizador:Ridley Scott
Com: Susan Sarandon, Geena Davis


Podemos dizer que o filme foi um marco do movimento feminista, um grito pela liberdade das mulheres! Recebeu seis nomeações para os Óscares, mas levou apenas um para casa: o de Melhor Argumento, assinado por Callie Khouri.

Em Thelma e Louise Thelma Dickinson (Geena Davis) e Louise Sayer (Susan Sarandon), decidem fugir da rotina e partir estrada fora para uma pausa de fim-de-semana. Pelo caminho, Louise mata um homem que tentou abusar sexualmente da sua amiga.
Não vou fazer spoilers, mas de uma coisa vos asseguro: o final é muito surpreendente e esteve mesmo quase para não acontecer. Uns vêem-no como triste, outros como uma metáfora para a libertação.
O filme acabou por criar uma onda de feminismo em Hollywood que, para as protagonistas, não se traduziu em melhorias dentro da indústria. Prova disso são os recentes escândalos de abuso e assédio sexual. Geena Davis, que criou em 2006 o Geena Davis Institute on Gender in Media, que tem por objectivo combater a discriminação de género, afirmou mesmo que "era muito pouco habitual encontrar um guião que tivesse duas protagonistas femininas tão bem descritas, mas ninguém tinha ideia da reacção que iria causar."

7. Seven - Sete Pecados Mortais (1995)
Realizador: David Fincher
Com: Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey, Gwyneth Paltrow

O jovem polícia David Mills (Brad Pitt), que passou cinco anos na divisão de homicídios, e o veterano William "Smiley" Somerset (Morgan Freeman), a sete dias de se reformar, são encarregues de uma investigação, no mínimo, intrigante: apanhar um serial killer que baseia os seus homicídios nos sete pecados capitais. O filme é magnetizante: permite-nos entrar na mente de um serial killer, perceber as suas motivações, os seus impulsos e a forma como sente o mundo.

8. 12 Macacos (1995)
Realizador:Terry Gilliam
Com: Bruce Willis, Madeleine Stowe, Brad Pitt

Um vírus mortal atacou 5 mil milhões de pessoas em 1996. Em 2035 - ano em que se passa o filme - apenas 1% da população sobreviveu e é forçada a viver debaixo de terra, num submundo. James Cole (Bruce Willis), um criminoso que foi condenado, aceita voltar ao passado para desvendar a origem da pandemia - que, acredita-se, ter sido provocada por um "Exército de 12 Macacos") e ganhar assim a sua absolvição. Infelizmente, Cole é enviado para o ano de 1990, seis anos antes do esperado. Acaba preso e internado numa instituição psiquiátrica. É lá que conhece Jeffrey Goines (Brad Pitt), o filho louco de um conhecido cientista especialista em vírus, e a Dra. Kathryn Railly, psiquiatra a quem tenta provar a sua sanidade.

Terry Gilliam teve receio de que Brad Pitt não conseguisse replicar o modo rápido e nervoso de falar que a sua personagem, Jeffrey Goines, exigia. Pitt ainda começou a ter aulas com um terapeuta da fala, para aperfeiçoar a sua técnica, mas o que acabou por resultar foi a privação de fumar durante as gravações!

9. Sleepers - Sentimento de Revolta (1996)
Realizador: Barry Levinson
Com: Kevin Bacon, Brad Pitt, Dustin Hoffman, Jason Patric, Billy Crudup, Robert De Niro, Minnie Driver

1967, Hell's Kitchen, Nova Iorque. Quatro amigos inseparáveis, Lorenzo, Michael, John e Tommy, envolvem-se numa brincadeira que corre mal e acaba por colocar um velhote em coma. À conta disso, são condenados a cumprir pena no Wilkinson Home for Boys, um reformatório. É daí, aliás, que vem o nome do filme: "Sleepers" é o termo empregue para designar os rapazes que passaram pelos reformatórios juvenis. Lá vivem um pesadelo que envolve humilhações, maus tratos diários, espancamentos e violações por um grupo de guardas, comandado por Nokes (Kevin Bacon). 13 anos depois, Michael torna-se advogado e Lorenzo Repórter. Já Tommy e John não conseguiram dar um rumo certo às suas vidas. Um encontro com Nokes, às mãos de quem sofreram um verdadeiro terror, acaba por lhes proporcionar a tão desejada vingança. "Sleepers" foi escrito, produzido e realizado por Barry Levinson, numa brilhante adaptação da obra de Lorenzo Carcatera. Supostamente, foi baseado em factos verídicos. O filme é um verdadeiro murro no estômago. Obrigatório, na minha opinião.

10. Sete Anos no Tibete (1997)
Realizador: Jean-Jacques Annaud
Com: Brad Pitt, David Thewlis, BD Wong

O filme, baseado em factos reais, conta-nos a história do montanhista austríaco Heinrich Harrer que tentou escalar o Nanga Parbat - um dos picos mais altos dos Himalaias - em 1939 e se encontrou-se com o jovem Dalai Lama, de quem acaba por se tornar amigo. Ele e o companheiro Peter Aufschnaiter, interpretado por David Thewlis, são os únicos a pisar a cidade sagrada de Lhasa, um lugar interdito a estrangeiros. A convivência entre Harrer e Dalai Lama acaba por se revelar extremamente enriquecedora para ambos.
De referir que o filme gerou alguma polémica na altura da estreia: Harrer era simpatizante dos nazis. Em 1998 a Sociedade de Cinema Político atribuiu a Sete Anos no Tibete o Prémio da Paz.

11. Conhece Joe Black (1998)
Realizador: Martin Brest
Com: Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani

William Parrish (Anthony Hopkins), um magnata dos media, está prestes a celebrar o seu 65º aniversário quando é abordado por Joe Black, nada mais, nada menos, que a morte na forma de um jovem homem, recém-falecido num acidente de viação. Black tem uma proposta irrecusável para Parrish: atrasar a sua morte em troco de se tornar o seu guia e ensinar-lhe sobre a vida na Terra. No processo, o jovem acaba por se apaixonar pela filha do magnata.

12. A Ciambra (2017)
Realizador: Jonas Carpignano
Com: Pio Amato, Iolanda Amato, Koudous Seihon

Em A Ciambra, uma pequena comunidade romani na Calabria, Pio Amato, um jovem de 14 anos, está desesperado por crescer rápido. Bebe, fuma e dá-se tanto com italianos como com refugiados africanos. Cosimo, o seu irmão mais velho, é o seu modelo. É por isso que, tal como ele, Pio cedo recorre ao crime para sobreviver. No entanto, um dia Cosimo desaparece e Pio é obrigado a tornar-se homem ainda mais cedo.
Vi este filme no festival de cinema do Rio de Janeiro, por alturas da minha aventura no Brasil, com "Deus Salve o Rei", da Globo. Esta história é crua. Fere susceptibilidades.

As interpretações foram conduzidas pelo realizador de forma exímia. Em conversa com Jonas Carpignano, ele explicou que teve que se inserir na comunidade Romani, teve de viver com eles e ensiná-los a interpretarem as suas próprias vidas, sem representações. Foram vários meses antes de começarem a filmar.

Gostei muito do filme mas ficou a questão no ar: porque é que não houve actores a interpretar os papéis dos mais velhos? A reposta foi simples, embora questionável: “Porque quis, não queria actores.” No seu legítimo direito e não sendo o único a fazê-lo, fico sempre com pena de não ver um actor ou atriz a interpretar o papel. Falo por mim, que vejo nestes projectos de docuficção um desafio enorme e a real essência do propósito de um actor. Mas amei o filme e os personagens neo-realistas!