Crónicas do Fidalgo

Experiências

Aventuras por Terras do Tio Sam: Parte 2

Oito horas enfiado num avião é normal para mim ou para o Lourenço, mas para o meu sobrinho era uma aventura que não se reflectiu no seu comportamento. Parecia ja um habitué com milhares e milhares de milhas no seu cartão! Será que o elogio por ser meu sobrinho? Não, mas também.

Não, porque acho que todos nós nos conseguimos dissociar dos comportamentos dos que mais amamos e julgá-los num contexto justo e imparcial.
Por isso mesmo, mesmo que ele não fosse meu sobrinho, se eu soubesse desta aventura e assistisse ao seu comportamento, seria o primeiro a elogiá-lo!
Também porque o orgulho que tenho nele é uma consequência do seu comportamento. E é por causa da educação que os meus putos têm que acho oportuno falar sobre os EUA e a educação das pessoas em geral.

Sempre sonhei em fazer parte desta terra dos sonhos onde o trabalho árduo, dedicação, crença e respeito têm a recompensa justa e reconhecimento proporcional. Sempre sonhei e continuarei a sonhar. Gostava de vingar por Terras do Tio Sam, claro.
Mas acredito que cada um terá que cumprir o seu dever social. O da educação, simpatia e respeito genuíno.

Quanto mais viajo, mais me dou conta de que o ser humano está cada vez mais fechado em si mesmo e nos seus. Esse comportamento resulta numa visão condicionada do que o rodeia. Passa-se, muitas vezes, uma imagem anti-social que acaba por se traduzir em falta de educação no que toca a um simples “Bom dia!” ou “Dá-me licença?” e “Obrigado”.

A isto juntamos o cavalheirismo, que está em vias de extinção e é muitas vezes confundido com subserviência.

Neste país a “eterna” recompensa é obrigatória por tudo o que se faz, por tudo o que se proporciona.
Se não há o retorno esperado, muda-se automaticamente o chip ou “risca-se” determinada pessoa da lista de atitudes e comportamentos positivos.

É tão simples quanto isto: basta não darmos a gorjeta desejada que, no dia seguinte, caso voltemos, o comportamento muda
radicalmente. Pior ainda, se a aparência não pertencer a um enquadramento social adequado (ou esperado), a presunção é automática!

Neste caso, estou a falar dos Estados Unidos, mas acho que este é um problema global. Não há respeito nas filas de espera - seja para o que for - não se agradece a ajuda prestada, não se ajuda… Está a tornar-se um mundo difícil de viver e torna-se complicado ensinar os nossos filhos a fugir destes comportamentos a sete pés!

Mas há uma grande diferença nos EUA, tal como referi há pouco: a recompensa merecida a quem se faz à vida, vence os seus obstáculos e conquista os seus sonhos. Da mesma forma, vai ser julgado pelos seus actos menos apropriados ou incorrectos cometidos nesta sociedade de grandes contradições.

Devíamos pôr de lado a nossa posição social que, por si só, não é um estatuto e preocuparmo-nos com a conexão com os outros, nas atitudes mais simples.

Já pensaram que um simples “bom dia” ao entrar num elevador onde já está alguém pode salvar o dia dessa pessoa? Ou até o vosso?

Vou contar-vos um episódio de que muito me orgulho: estávamos à espera do elevador, depois de um grande pequeno-almoço no hotel, quando um casal que estava ao nosso lado elogiou o comportamento dos meus miúdos por causa de um simples gesto. Assim que acabámos de comer e na hora de sair, eles dobraram os seus
guardanapos e colocaram ao lado dos respectivos pratos. Uma prática comum, bem como agradecer cada vez que alguém nos volta a servir. Este comentário foi feito por pessoas que já tinham vindo a observar o nosso comportamento desde que chegámos ao hotel.
E este assunto suscitou várias conversas entre mim e os meus miúdos. Todos os dias, ao final do dia, falávamos do que mais nos tinha marcado, para o bem e para o mal, e retirávamos as devidas conclusões.

Cumprimentem mesmo quem não conheçam, agradeçam quando for preciso, sejam cavalheiros e verão que os nossos filhos e netos serão pessoas mais preocupadas com o meio que os rodeia. Contribuirão para a harmonia entre todos.

Já divaguei o suficiente! Na terceira parte, conto-vos as aventuras pela Disney!