Crónicas do Fidalgo

Experiências

Passaram 18 anos e nunca me vou esquecer!

No Largo do Coreto, em Carnide, há um prédio encarnado com uma história que me diz muito. Uma história que entretanto se misturou com a minha. Falo do Clube de Carnide, que esteve perto de perder a sua sede de há 90 anos, à conta das Lei das Rendas. Mas, entretanto, foi considerado estabelecimento de interesse para a cidade de Lisboa. Pelo menos, por mais 10 anos, o Clube vai por lá continuar!

Pois bem! Assim de repente, já passaram pelo menos dezoito anos desde que estou ligado ao Carnide Clube.

Confesso que nos últimos cinco não fui presença assídua, mas o coração continua ligado a este espaço. Aqui comecei uma aventura com um grupo de amigos com o objectivo de salvar o Clube da extinção. Tinha eu 23 anos. Os mais velhos já estavam cansados de tomar conta do espaço e sabíamos que se não entrasse sangue novo, o destino era certo.

Fui convidado pelo meu grande amigo e irmão Diogo Nunes a ficar com o pelouro da cultura e a assumir o compromisso - e a responsabilidade - de levar a cabo as decisões tomadas pela equipa. No fundo, a seguir uma estratégia conjunta, traçada por vários departamentos.

Assim aconteceu. Formou-se uma candidatura, seguimos todos os trâmites legais e, sem adversários, rapidamente tomámos conta do Carnide Clube!

Rui Gaudêncio

Rui Gaudêncio

Para começar, criámos um festival de música com vários dias de actividades. A cada dia correspondia um estilo musical. Rock, reggae, hip hop e electrónica.

Demos oportunidade a bandas de garagem que actuaram lado a lado com os profissionais que aceitaram este convite, porque acreditavam no nosso projecto.

Muito haveria para dizer sobre este festival… Mas o que importa ressalvar é que, no fim de contas, correu bem e acredito que foi uma experiência enriquecedora para o público e para todos os que participaram nela!

E esta foi uma de muitas aventuras que vivi neste Clube, que nunca vou esquecer.

Mas agora que partilhei a minha ligação com o Carnide Clube, falemos da importância… Não, da necessidade da sua existência!

Sabemos que é um clube de bairro que, hoje em dia, está numa zona onde a especulação imobiliária está ao rubro. Os novos habitantes já não se inserem na mística cultural e um clube destes atrai um tipo de público que, supostamente, já não interessa à harmonia e bem-estar da nova atmosfera de bairro “in”.

Acredito que a preservação de um clube como este vai dar espaço à agregação social e, com a colaboração da PSP, deve haver segurança para que todos nós possamos viver em harmonia e usufruir do que o clube tem para oferecer. Há uma história de sucessos desportivos a conservar e talentos de todos os estratos sociais a defender.

Este caso possa servir de exemplo para um conceito que, fazendo parte de uma utopia social, não estaria muito longe de ser exequível!

Se, como eu, trazem o Carnide Clube no coração e reconhecem a sua importância, convido-vos a assinar esta petição.