Crónicas do Fidalgo

Experiências

A CAMINHO DE BIARRITZ. É O WHEELS & WAVES!

O Wheels & Waves é um encontro anual, ecléctico, que mistura várias influências e celebra um Lifestyle muito próprio, expresso através do surf, das motos e carros de colecção, da arte e da música.

DIA 1

Parti de Lisboa no dia 10, por volta das 20:00, mas com intenções de dormir em Évora. Uma decisão tomada no momento, pois o tempo não seria dos melhores para percorrer alcatrão quer a pequenas ou grandes velocidades. Não eram meia dúzia de pingos que me iam impedir de adiar mais uma hora que fosse para isto, por isso decidi fazer-me à estrada na minha primeira menina: uma sportster iron 883 bobber, scrambler, cafre rafer, Fidalgo style J

O destino é Biarritz, o objectivo é estar presente no Wheels and Waves 2018 como já escrevi aqui nas Crónicas no início desta semana.

Desde há uma ano para cá, ou mais precisamente desde o Motorbeach 2017 em Bilbao, que planeei esta viagem com mais uns quantos marmanjos e volta e meia falávamos sobre isto com intenções de se tornar mais do que um “temos de combinar ir”. Todos sabemos que esta coisa do “temos de combinar” é chutar para o futuro uma realidade que nunca irá saltar para o presente. No final das contas, acabei por me fazer à estrada sozinho. O amanhã é agora hoje. Acabamos sempre por nos tornarmos mais realizados em fazermos aquilo que temos a certeza que nos vai fazer felizes. Isto sem dúvida que me faz. E me realiza no fundo.

Há dois anos, parti para uma viagem pelo sul de Espanha até Barcelona onde tinha uns amigos à espera. Chisco de seu nome, albergou-me em sua casa e foi embora pra Londres trabalhar. Apresentou-me a Fede, antes de irem embora e disse que estando com ele, estaria com DEUS. Dito e feito. Com Deus aí do meu lado, não nos faltou nada para curtir uns largos dias em Barça.

O objetivo da viagem foi de participar no Gentleman’s ride de Barcelona (um evento criado em 2012 por Mark Hawwa, de Sydney, Austrália, que hoje se tornou num evento global de motociclistas que pretende criar fundos e awareness na luta contra o cancro da próstata e o suicídio masculino adjacente a esta patologia. Sim, é uma realidade e convém falarmos sobre isto). Foram uns dias que nunca mais vou esquecer, graças ao Chisco e ao Fede.

Pois bem, chegou a altura de reencontrar estes amigos e curtir com eles que nem um grupo de cavalheiros o festival Wheels and Waves. Sabia que o Fede queria ir e bastou um telefonema para imediatamente ir ter a sua casa e ganhar uma excelente companhia para a viagem.

Com ele seremos sete que me esperam. É chegar e enfiar ias motos para dentro de uma van, tendo mais que tempo de qualidade para curtir o resto da viagem até Biarritz.

À hora que vos escrevo esta crónica, sigo ainda em viagem de moto enquanto desfruto de uma bela pizza em Sevilha no dia 11 de Julho pelas 15:26 (hora espanhola) sem saber se ainda chego a Barça hoje. Mas pouco importa: amanhã também é dia. Por agora, it’s pizza time ;)

Até já, malta!

DIA 2

Somos 7 numa transporter que pertence a um dos 12 amigos que celebram o valor da amizade.

Tanto curiosa como fascinante esta viagem.

Vim a Barcelona de moto para estar com Fede (um dos fantásticos doze). Conheci-o há 3 anos, numa viagem que também fiz de moto até Barcelona (na altura para fazer a volta dos Gentleman’s ride). Conheci-o através de um velho amigo chamado Chisco. Nessa viagem, vinha ter com Chisco, mas por razões profissionais, teve que partir em viagem embora me tenha deixado as chaves de casa no correio e um número para ligar, dizendo que estaria bem entregue. E a quem pertencia esse número? Ao grande Fede.

Com ele, passei uma semana inesquecível e fiz um bom passeio dos Gentleman’s Ride.

Chisco nem vÊ-lo. Combinamos ver-nos noutra altura.

Passados estes anos, decido ir ao Wheels and Waves e lembrei-me de ligar ao Fede para lhe perguntar se também ia. Não deixando sequer perguntar-lhe primeiro acerca do que me motivou a ligar-lhe acabou por ser ele a convidar-me para nos juntarmos e partirmos mais um grupo de amigos. Seria um grupo especial. Acabou por sê-lo!

A minha resposta foi tão rápida quanto o convite dele e num ápice de uma semana preparei tudo. Peguei na moto e fiz-me à estrada.

O início da viagem, já vocês sabem. A seguir ao almoço em Sevilha, fiz mais algumas umas centenas de quilómetros e fui dormir a Albacete, um Hotel palácio 4 estrelas. Descobri ao acaso. A noite aproxima-se mais depressa do que contava e acabo por já não conseguir chegar a Valencia, onde pretendia dormir. E que bom acaso, pois quando chego ao porque de estacionamento deparo-me com uma coleção privada de carros clássicos até perder a vista. Vim mais tarde a saber que pertenciam ao dono do hotel. Tentei chegar-lhe ao conhecimento, mas a o dia já ia tarde e acabei por não me conseguir cruzar com ele. Ficam as memórias.

Uma boa noite de sono e às seis e meia da matina, já estava a tomar o pequeno almoço reforçado para me fazer à estrada com destino a Barcelona. Tinha à minha espera 700 quilómetros.

DIA 3

Uma viagem descontraída e com rectas de perder de vista( destaco a A43 e A31), excepto os últimos 150 km que demoraram um eternidade por causa do vento. Uma ventania tão grande que me obrigou a circular a 60km/h. Mas como o sol fez questão de aparecer, menos mal.

Cheguei casa do Fede, já com um amigo dele à minha espera. Fede já tinha preparado para mim um bom spa para descansar os ossos para recuperar energias para uma saída por Barcelona mais logo. E assim foi, arrumar a motos na van junto de todas as outras e pronto para a noite catalan.

Agora, sim. 13 de Junho, 9 da matina e com uma ligeira dor de cabeça que desaparecera com um belo grousan, estamos “listos “ para os 800km até Biarritz.

Ainda não tinha falado em percalços, pois bem, o primeiro. O Ford Capri ficou sem um cilindro.

A sorte é que boa parte são mecânicos e só foram precisas 2 horitas para meter o cilindro a trabalhar e continuar viagem.

Acabei por nem vos contar: uma semana antes da viagem, aluguei um bangalô no camping de Biarritz, mas até ao dia da viagem, não tinha qualquer confirmação, ou seja, por esta hora, ainda não sabia onde ia dormir.

Mas para ser honesto, (ainda) não estava preocupado. Os argentinos, ofereceram-me cama para aquela noite, o Miguel Velasco da Stone Live e Cool&Vintage, que iriam chegar a Biarritz na mesma noite, também me ofereceu guarida. Por isso, na rua certamente não iria ficar. No dia seguinte logo se veria.

Chegámos por volta das 23:30. Beber um copo ao centro da vila, estava fora de questão, pois no dia seguinte teríamos que nos levantar à e meia da matina para tirar as motos da van e em direção a San Sebastian para o punks peak. Acabámos por ficar na conversa na companhia de umas cervejas e um inocente whisky até às 3. Lá se foi a boa noite de descanso.

Amanhã há mais.

DIA 4

Acabei por ficar na festa do Miguel e Ricardo da Cool n Vintage e acabei por ficar ali a dormir até ao dia 17. Boa festa com boa gente, conversa e muita alegria à mistura. Escusado seria dizer que foi pela noite dentro. Devo acrescentar que a casa que alugaram, no centro da vila é divinal e não podia ser mais no centro.

Não posso deixar de fazer referência ao Hugo Ramos, ao Luís Figueiredo e ao Manuel Portugal no dia pela companhia e companheirismo, desta feita por parte do Luís Figueiredo da Yamaha por ter estado sempre comigo quando fiquei sem gasolina no caminho a San Sebastian. Grandes!

Também nos restantes dias demonstraram ser uma excelente companhia.

DIA 5

Dia de Portugal-Espanha 3-3

Meio-dia. Uma boa hora para acordar. Depois de uma noitada, claro.

Banho rápido e lá me faço à estrada para assistir ao Swanp Rally by Deus. Um percurso de motocross que fica a 15 km da vila.

Dou um ‘até logo’ ao pessoal da Cool n Vintage, e lá vou eu a solo sem saber que iria encontrar por lá. Claro que sabia quem andava por lá. O pessoal da Yamaha, Ton Up, REV magazine e os argentinos. Fora eles, mais un montón de gente.

Uma corrida bem organizada, embora houvesse discórdias em relação às categorias. Mas isso deixo para os entendidos.

De volta à vila, direto ao centro de Centro de exposições, com o pessoal da Yamaha, Ton Up e REV que fora recolocado devido à chuva forte que ocorreu uns dias antes.

E pensaram bem. Mesmo quando estamos a chegar, cai uma carga de água. Típico.

Embora tenha perdido a mística de ser no local original, onde a extensão de relva que começa num edifício futurista e acaba em cima do mar onde acontece o campeonato de longboard, estava bem organizado. No fundo, fez-me lembrar a Nauticamp em miúdo.

Fiz as compras para a família e está visto.

Chegava a hora do grande jogo e ainda tinha que ir à festa da deus a convite da Cool n Vintage para a abertura da loja. A chuva era muita e mesmo eles adiaram a festa e preparamos o jogo primeiro. Mesmo assim, apanhei uma molha valente do centro de exposições até à casa no centro da vila. Sem roupa por estar toda no camping com os argentinos, acabei por agarrar nuns calções do Miguel e umas t-Shirts da Cool n Vintage para ver o jogo numa casa cheia de gente. Mais portugueses que tinham chegado de Portugal, americanos que por lá andavam, e mais gente oriundos de tantos outros spots.

Grande Jogo. Espanha-3 Cristiano Ronaldo-3

Com a roupa meio seca, lá fomos para a festa da deus. Mas de série I, todo aberto da Land Rover, restaurado pela Cool n Vintage. Está um tempo chuvoso, em sei, mas mesmo assim tudo era melhor que ir de moto. E com o que se ia beber, foi bem pensado.

E a grande novidade: havia festa pela noite dentro!!!!

DIA 6

Dia do Flat Track em San Sebastian

Arrancámos para o Flat Track, em San Sebastian, mais os portugueses que tinham chegado no dia anterior. Acabaram por ser uns bons 55 quilómetros mais um série 1 que acabou por ficar para trás. Não deixa de ser o seu passo, não se pode apressar uma relíquia :)

Um viva ao bom tempo que estava do nosso lado. Por terras espanholas estavam uns bom 28 graus e uma multidão a curtir o dia de sol mais as suas motas na pista oval de terra batida. Mais um dia excelentemente organizado e não posso deixar de mencionar as muitas crianças que tenho visto ao longo destes últimos dias. São eles a geração que irá receber o testemunho deste estilo de vida.

De volta a Biarritz, mas desta vez à mesma velocidade do Série um.

Acabei por me perder dos demais e fiquei com este pessoal. Acabou por ser óptimo e acabei por conseguir umas chapas incríveis.

O dia terminou da melhor maneira: um final de tarde magnífico na típica parada de Biarritz com um ambiente ainda melhor.

Boa companhia, o melhor vinho, excelentes tapas. O que se pode desejar mais de um dia de verão?

Dia 7

Último dia do Wheels and Waves

Mais uma noite dormida numa casa incrível, e agora com umas roupinhas novas compradas nas lojas da vila.

Neste dia, a grande maioria ia embora, incluindo os argentinos. Não sabia se ia com elas de volta para Barcelona ou se ficava e continuava o meu caminho.

Com tempo para decidir, passei pelo meu cafezinho habitual para um pequeno-almoço reforçado. Tem acabado por ser um ponto de passagem obrigatório nestes dias com o pedido de sempre: um café e dois croissants. De seguida, fui ao centro de exposições para me despedir de algumas pessoas que conheci por lá e acabar por ver mais um pouco do que se estava a passar. Foi aí que finalmente conheci a dupla Saudade 1979. João e Nuno. Dois fotógrafos que decidiram criar uma marca ao com a qual me sinto bastante identificado. Já nos tínhamos cruzado, mas nunca acabámos por nos apresentar. Aquele foi o dia. Também eles chegaram ali de moto. Duas triumphs: uma tracker e uma Bonneville.

Estávamos todos reunidos no Stand da Yamaha, já a terminar a palheta, quando decido terminar o dia na praia e acabar por decidir ficar mais um dia em Biarritz. Ao partilhar a minha decisão ao grupo, os Saudade 1979, convidaram-me a juntar-me a eles, pois tinha alugado um apartamento mesmo em frente à praia. Como tinha curiosidade em conhecer a história deles, acabei por me juntar e ainda bem que o fiz. Não me fui embora sem antes me despedir do pessoal da Cool n Vintage, na loja da Deus. Acabei por ali ficar mais um bom pedaço a escrever um pouco. Loja bonita aquela.

No final do dia, e para nossa surpresa, quando nos preparávamos para ir em busca de um restaurante, recebo uma chamada do Luís da Yamaha a dizer que iam ficar mais uma noite. Acabou por se transformar num convite para irmos jantar todos, convite esse que se tornou impossível de recusar. Confesso que me estava a custar deixá-los ir. E deixar-me ir.

Mais uma noite daquelas! E ainda bem que fiquei!

Larguei uma nota daquela no camping e, confesso, para aquilo que se paga, mais vale apostar num apartamento. Ao menos num apartamento sei que são capazes de oferecer mais condições mínimas como a oferta de jogos de toalhas, lençóis, ou até papel higiénico. Bungaloos são lindos, é claro, mas todo resto, que é essencial, fica muito aquém das expectativas. Fica a dica para vocês, mas sobretudo para mim porque já imagino o meu regresso.